já fizeram uma visitinha

Amazing Counters
- desde o dia 14 de Junho de 2007

Mostrar mensagens com a etiqueta Editorial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Editorial. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ponto final

o meu adeus
Na passada quarta-feira quis pôr este ponto final. Já não pude: quando dei por mim, o computador tinha sido desligado e metido numa caixa, num camião.

Quem passa por experiências de mudanças sabe que é assim… durante dias, não sabemos das nossas coisas. E nem, nos apetece saber.

Sentimos que os nossos tarecos estão a ser violados por mãos estranhas e, assim, a nossa vida fica a nu, como a nu fica a casa que durante tanto tempo foi o nosso castelo.

Tudo me traz agora recordações e a melancolia mergulha-me como num banho de óleo. Esta casa não é minha. Não me apetece que seja minha. As pessoas que encontro na pastelaria não são os companheiros e amigos da bica na marina. São gente que nada me diz. Nem sei se será gente ou autómatos. Nem me interessa.

As condições de vida que me criaram (e para a qual posso garantir que jamais contribuí) levaram-me a esta «solução final». Que fazer? Nada. O país entregou há décadas os nossos destinos a incompetentes. E cada incompetente é sempre substituído por um mais incompetente ainda.

Vamos ver se comigo acontecerá como reza a lenda de Camões, que teria dito, no leito em que agonizava: “ao menos, morro com a Pátria” (porque, não tenhamos dúvidas: esta vai morrer, entregue pelo seu carrasco decisivo, Passos Coelho, aos algozes do capital que baptizaram de Troika).

Só me resta uma consolação: é que mesmo apossando-se do poder da Europa, nem desta vez os alemães a conseguiram conquistar e dominar.

Mas deixemos essas coisas da política e da porcaria de governos que temos escolhido, e que, uma vez aflitos, tomam como alvo, os pobres e a dita classe média. Que um raio os parta!

Este blogue não podia ter acabado sem que me fosse dada a possibilidade de nele deixar a minha última palavra. Que é mais que uma palavra de saudade. É uma palavra que começa por ser de agradecimento. Aos meus companheiros de labuta neste 'Calçadão', que sacrificaram horas e horas do seu próprio descanso para que as novidades pudessem chegar aos nossos leitores, muitas vezes antes de chegarem às redacções dos jornais. Às suas famílias e à minha, porque souberam compreender que tentávamos prestar um serviço público gratuito. Obrigado, Ana. Obrigado . Obrigado Rui.

Obrigado.

Outro agradecimento vais para os nossos leitores (uma média de 355 diários), alguns deles a acompanhar-nos desde a primeira hora, certinhos como um relógio antigo. Também eles nos ajudaram muito, mandando-nos informações para que pudéssemos melhorar a nossa prestação, ou enviando-nos o seu estímulo.
Aos nossos colegas «bloguistas» também vai dirigido o nosso obrigado, pelo carinho, apoio e colaboração.

Jamais esqueceremos o «Mas certamente que sim», o «Fata Morgana», o «MAC Loulé», o «Margens de Erro», o «Cachimbo de Magritte», o «Praça da Republica» e outros cujo nome agora não me ocorre.
Também temos um lote de desculpas a apresentar: primeiro, aos nossos leitores fieis, a quem «fugimos» sem dar cavaco»; depois, aos muitos que nos enviavam correio electrónico e a quem não pudemos responder, por falta de tempo ou por preguiça.

Àqueles que «atacámos», a esses não vamos pedir desculpas. Fomos sempre directos e verdadeiros. A quem assentava a carapuça… ficou muito bem assente.

Desculpas também aos meus concidadãos Rogério e Zé Soares, ao arquitecto João Pedroso, ao inspector Eduardo Geraldo, à Rosália, ao professor Catarino, os quais, sem quaisquer culpas no cartório, se viram, por vezes incomodados, como sabemos, confundidos com os autores do blogue e acusados de serem «atiradores de farpas».

Desculpas ainda para o concelho de Loulé, para a cidade de Quarteira e para todos os Quarteirenses, a quem agora abandonamos à imprensa local (?) atenta, veneradora e obrigada ao poder constituído.
Mas, perdoem: as últimas e definitivas palavras vão direitinhas para a minha equipa. Eles conseguiram a proeza de me «molharem os olhos» com os seus últimos posts.

Bem hajam, amigos.

Adorei trabalhar convosco; guardo-vos no coração, naquele cantinho mais reservado. Onde só cabem os bons.

Até sempre!


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lágrimas de amor

calçadão: um exercício de cidadania e democraticidade
Foram quatro anos com um significado e uma grandeza excepcionais. Quatro anos em que, nas voltas do «Calçadão» juntámos uma equipa fantástica.

Lourenço conduziu sempre, com a sua magistral batuta. Foi um líder, quase um pai. Só dessa forma conseguimos manter, sem nos desviarmos um milímetro das nossas convicções, uma coesão, uma lealdade e uma constância impares.

Cada um de nós olha a politica por uma face diferente do prisma. Mas isso, se causou algumas perplexidades naqueles que preferiam que olhássemos todos da mesma forma para aquilo que nos rodeia - como se, para tal, hão bastasse o monocórdico seguidismo da imprensa que temos -, não impediu um trabalho conjunto e equilibrado.

Ao Lourenço ficámos a dever este extraordinário - e não difícil - exercício de cidadania este exemplo do que deve ser democracia.

Hoje, o «Calçadão» chega ao fim. Mas os laços de carinho e admiração mútua que unem esta equipa perdurarão in perpetuum (esta vai agradar à Ana).

Honra-me ter pertencido a este grupo.

As lágrimas que nos rolaram nas faces, durante o jantar de Sábado, foram sentidas. Mais do que disse o Lourenço no seu post, não foram apenas lágrimas de saudade.

Foram de amor.

Isto faz-se?!...

volta já! e depressa, pá! faz favor!

A partir de hoje vou ficar mais descansado porque não vou receber mais daqueles telefonemas incómodos do Lourenço:


– Então, pá?! Estão dois posts prontos há mais de cinco horas e tu não os mandas para o ar?

(Pois! O Lourenço não percebeu ou fingiu que não percebeu que isto de arranjar «bonecos» para todos os posts não é assim, do pé para a mão).

Nunca tive jeito para a escrita mesmo quando os outros me desafiaram para escrever umas coisas a que chamaram contos infantis, não me senti à vontade; mas nos momentos vagos, lá ia juntando os bonecos para ilustrar os posts

Agora o blog chega ao fim. A equipa morre aqui.

Morre? Não morre!!! Vou estar cheio de saudades das nossas conversas.

(Anarca comunista, eu, Zé Carlos?! Anarca era a tua bisavó italiana, meu xuxa socrático…)

Ana: nunca te disse que tens uns olhos lindos? (Sabes? Na hora do adeus é mais fácil dizer essas coisas sem soar a oco).

Por fim, tu, Lourenço, meu amigo. Telefona quando quiseres; eu faço os bonecos todos que quiseres. Vai à tua vida. Vê se este Pinócoelho te deixa endireitar a vida e volta. Faz outro blog. Eu gosto de discutir contigo. Porque gosto de te abraçar.

Volta logo que possas. Sei como te é penoso deixar o teu Algarve. Volta. O Algarve precisa de ti. Loulé precisa de ti. Quarteira precisa de ti. Vilamoura precisa de gente como tu.

E nós estamos a morrer de saudades, mesmo antes que te vás.

Obrigado Calçadão

quatro anos que guardarei no cofre do meu coração
Quando há pouco mais de quatro anos, o meu amigo Lourenço me convidou para esta aventura, comecei por recusar. Conhecia, há muito o José Carlos e as suas convicções socialistas. Pensei que desta relação só poderiam vir desentendimentos e a minha natureza é avessa a discussões ou a ambientes azedos.

Mas era difícil recusar qualquer convite do Lourenço Anes, mais próximo das minhas convicções e, quando ele aceitou que eu pudesse usar o blogue como um instrumento didáctico, comecei a abanar. Demais, sabia que no seu convívio, tinha muito a ganhar, muito a aprender.

Na altura, leccionava Poesia Contemporânea e, depois de ter ficado assente que bastaria a contribuição de um post semanal, acabei por aceitar. Foi assim que, durante meses, os meus alunos encontraram no ´Calçadão´ tema para os seus trabalhos escolares.

Depois, faltou a saúde e foi então que percebi em que equipa eu «caíra». Encontrei nos companheiros do blogue a amizade, o interesse, o carinho que me deu forças num momento difícil.

Por isso, hoje o meu coração está a chorar: esta equipa nunca deveria desfazer-se. Vou sentir a falta deles. Vou sentir a falta do ´Calçadão´.

Sem eles, fiquei mais pobre. Sem eles, sinto-me só.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Antes do adeus…

quando a saudade chega antes da partida
No sábado juntámo-nos todos á volta duma mesa, num jantar em que se estreitaram laços, se recordaram emoções e em que, por vezes, os olhos se recusaram a ficar secos.

Nós os quatro, alguns amigos e muitas recordações acumuladas ao longo destes quatro anos de vida deste blogue.

Amanhã cairá o pano. Começará uma nova vida, uma vida cheia de incertezas, é certo, mas da qual tentaremos evitar os espinhos que se adivinham.

Foi um jantar lindo. Talvez o primeiro jantar que, na vida, me foi especialmente dedicado – só a mim – mas que nos juntou todos – colaboradores e amigos – em laços apertados de saudade.

No Domingo já não abrimos o estabelecimento. Faz-me saudades olhar para esta sala, agora vazia.

Partirei ainda esta semana. O Calçadão partirá antes, deixando-me mais só; deixando os trezentos e pico leitores diários e regulares sem a companhia habitual. A nós deixa-nos cheios de angústias e saudades. Aqueles a quem fomos incómodos ficarão, de certo, aliviados.

É a vida: os alcatruzes da nora – quando uns partem vazios, deixam lugar para que outros cheguem, trazendo frescura e esperança.

As despedidas… ficam para depois. Bem hajam.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Perder a esperança

quando o negócio não dá, é melhor fechar a porta

Passos Coelho já o tinha prometido durante a campanha eleitoral e por isso, não havia que admirar. O Governo entrou forte e feio: aumentou o IRS, lixando os salários; subiu os preços dos transportes, sem explicar porquê; facilitou os despedimentos criando a instabilidade nas famílias; acabou com as «golden shares», beneficiando os grandes empresários.

Aquilo que criticara no governo anterior foi repetido, com agravante: apostou nas receitas, protegeu os mais ricos e pôs à beira do suicídio os que já tinham atingido o limiar da pobreza.

No entanto, Coelho definira como objectivo atacar as despesas, cortar, cortar, cortar e chegou a afirmar ter uma lista de cortes a efectuar de imediato. Deve ter rasgado a lista e esquecido do que disse. A quem muito escreve em juvenis «facebooks», costuma faltar o tempo para coisas mais sérias.

Assim, já anunciou que os próximos alvos… são mais do mesmo: aumentos de preços na electricidade e no gás, talvez volte a subir o IVA para os impensáveis 25%, acabou de «desviar» mais fundos de pensões.

O ministro das Finanças, com aquele seu ar de verdugo aéreo, já anunciou o que aí vem: o PIB voltará a cair e irá assim até 2013 - pelo menos, uns dez meses de recessão, durante os quais desaparecerão mais de 100 mil postos de trabalho.

Parece que é o trágico destino que nos foi imposto pela troika. As coisas são como são: o programa da troika ainda só agora começou e em Julho, o consumo privado em Portugal baixou 3,4%, a maior descida desde 1978.

Mas, por agora, vou esquecer que, em 2013, a dívida esperada é de 115% do PIB, com a economia estagnada. Não sei como Passos Coelho julga que vai descalçar a bota.

E, por agora, nem isso me interessa.

Porque, desculpem lá, também tenho de pensar em mim.

A queda do consumo é, no mínimo, trágica. Os pequenos empresários sentem o sufoco.

Esperei que o mês de Agosto pudesse dar um sopro de esperança ao meu negócio. Mas Agosto já não é o que foi.

Parece que os hotéis de Vilamoura estão quase cheios; mas, se estão, é com turistas de meia-tigela, que não gastam um cêntimo para além da hospedagem.

Se, quando os empresários da sede de freguesia de Quarteira se lamentam, pensam que os de Vilamoura têm razões para estar felizes… desiludam-se. Nunca, desde que abri o negócio, os lucros mal deram para pagar a respectiva renda. Aconteceu agora, em Junho e em Julho. Agosto não irá salvar nada. A entrada de um cliente é quase motivo para uma festa.

Resta-me fechar a porta e é o que irei fazer no final do mês. Avisei o senhorio, que levou as mãos à cabeça: «- E agora?».

Não sei como será o «agora» do senhorio. Mas sei que o meu futuro próximo passará por ir mudar de ares, já que chegou o momento em que decidi que não irei mais trabalhar para pagar - que quase é o mesmo que pagar para trabalhar.

Felizmente para eles, um dos meus empregados arranjou trabalho em Luanda e marchará ainda esta semana. Outro, casado com uma manicura que ficou desempregada, decidiu regressar ao Brasil no final do mês. A terceira… com muita pena minha, tratarei de regularizar a sua situação para que passe a receber subsídio de desemprego, já que acordámos a rescisão por mútuo acordo.

Com as Finanças, está tudo tratado: não tenho dívidas e cessarei a actividade a partir do último dia de Agosto.

Por mim, lançarei a toalha ao chão. Sem direito a subsídio de desemprego, irei à procura da companhia de filho e netos. Pode ser que, lá pela capital encontre alguma oportunidade para me não sentir inútil…

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Copiar as ideias dos outros pode ser bom, sabem?

ou só nos interessa retirar o êxito aos nossos vizinhos?

Um dos grandes problemas do Algarve e do seu turismo é que poucos procuram inovar e todos se querem copiar:


  • o concelho N faz um festival de folclore e tem tido êxito? Aí está: vamos fazer também um festival de folclore;

  • o concelho X tem uma feira da serra e parece que dá resultado? Bem, façamos também uma feira da serra…

  • o concelho Y organiza marchas populares e parece que resulta? Bem, façamos também um desfile de marchas!

  • concelho Z tem uma feira de velharias e parece que é bem frequentada? Bom, então vamos também fazer uma feira de velharias…

E assim, retirando a originalidade aos outros, não fazendo senão roubar ideias e êxito uns aos outros, vão-se arremedando, copiando, num festival canibalesco.

E fazem-se festivaizinhos de folclore, feirinhas de serra sem gracinha nenhuma, imitações de marchas sem qualquer originalidade, feiras de velharias sem sal nem piada…

Somos assim: por preguiça, não inovamos; por falta de ideias, não empreendemos; por inveja e estupidez, devoramo-nos uns aos outros!

Mas as ideias que copiamos são todas boas? E isso que interessa? Outros pensaram por nós e criam o know-how.

As ideias boas, as que deveriam ser copiadas porque não são autofágicas, essas ficam muitas vezes ou quase sempre de lado…

Veja-se o exemplo da ideia (que só é inédita no nosso país) da Câmara de Vila Real de Santo António que, numa parceria, criou o serviço de «Taxi parking», que funciona desde15 de Julho até 31 de Agosto, 24 horas por dia.

O «Taxi parking» consiste num serviço de estacionamento com recolha e entrega de passageiros nos seus hotéis ou residências, com um custo fixo, mediante o qual, através de uma chamada telefónica, o utente tem a possibilidade de ser levado ao seu hotel ou residência e de voltar novamente ao seu veículo, sem qualquer custo adicional.

Pretende conseguir-se, com isto, facilitar e organizar o trânsito que, nesta altura do ano, se torna mais complicado, devido à grande afluência de turistas.

Podia ser uma boa medida, não? Sem fazer concorrência (sem prejudicar) aos nossos «irmãos» e aportando um pouco mais de qualidade à nossa oferta turística.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Miguel Freitas exige respostas urgentes ao Governo

é a sua forma inútil de mostrar serviço
“Tu morreste excomungado:
Nom o quiseste dizer.
Esperavas de viver,
calaste dous mil enganos...
Tu roubaste bem trint'anos
o povo com teu mester.”

(Gil Vicente – Auto da Barca do Inferno – fala do Diabo)

Espantai-vos, senhores: há quem morra excomungado e nunca perceberá que morreu.

Miguel Freitas, o líder do PS/Algarve, morreu há que tempos, depois de calar com "mil enganos" o (seu) povo (do punho e da rosa) com seu "mester".

Por outras palavras, para deixarmos em paz a memória de Gil Vicente: Freitas mais que morreu – suicidou-se.

Afogou-se na sua jactância e na sua incompetência política. Recebeu um PS/Algarve «em alta» e, de degrau em degrau, veio, de cambalhota em cambalhota, até esborrachar os restos de um partido moribundo no Algarve.

Nunca quis perceber que o seu tempo tinha passado, tal a sua incomensurável prosápia, a sua imensa presunção. Terá pensado que, perante um inábil adversário como o parecia ser Mendes Bota, a ascensão do seu partido – e, consequentemente, a sua ascensão pessoal – eram favas contadas.

Ao contrário de Bota, que foi levando a água ao seu moinho, Freitas esperou que, outros por si, o fossem fazendo.

Quando percebeu, era tarde: o PS afundara-se com a sua «preciosa» ajuda. O secretário-geral demitiu-se e seguiu os apelos do seu próprio nome, tratando de ir em busca da sabedoria que lhe faltou, tentando encontrá-la nas páginas da Filosofia.

A ele, Freitas, os camaradas apontaram-lhe a porta da rua.

Julgam que foi? Nem pensem: com “dous mil enganos” roubou o seu povo rosa “com seu mester”, acenando-lhe com eleições próximas, prometendo que não se recandidataria…

E o povo rosa caiu que nem um patinho, porque nem leu os estatutos que o rege e que impede alguém cumpra mais de três mandatos. E lá ficou, uma vez mais, armado em chefe e colando-se, de imediato ao candidato que provavelmente será o seu novo líder; o candidato que melhor garante que o Partido Socialista ficara preso muma teia de continuidade e não acompanhará as mudanças necessárias às próximas condições de vida dos portugueses.

Mas Freitas sentiu necessidade de mostrar «serviço» ao futuro líder e, para disfarçar a sua eterna incompetência política, de que se havia de lembrar? De exigir que o Governo esclareça “com máxima urgência” quem vai assumir as competências que antes pertenciam aos governadores civis.

Coitado do Freitas! Tão preocupado agora quando, ele próprio, hipotético candidato à liderança da Região Algarve, sempre «ansiou» pela extinção desses mesmos Governos Civis!

Como ainda não percebeu que o seu partido já não dita regras, o homem exige esclarecimentos “com a máxima urgência"! E quando é que, nos seis anos que passaram, exigiu respostas e as exigiu com a «máxima urgência», ao governo de José Sócrates?
Pois voltemos aos «dizeres» do Diabo de Gil Vicente:
Freitas, “Entra, entra no batel, que ao Inferno hás-de ir!”.

sábado, 18 de junho de 2011

Está em risco a Comunidade Europeia?

ou será o euro que sucumbirá antes dela?
Desde que Jean Monet ou Konrad Adenauer visionaram que, governando em conjunto, seria possível evitar novos conflitos europeus como os que tinham originado as anteriores guerras, que a CEE foi acumulando erros sobre erros. Desde então e até agora, com mais ou menos «cabeçadas», com mais ou menos atraso, com mais ou menos equívocos, a Comunidade conseguiu ir encontrando soluções. Umas vezes jogando as causas para trás das costas, outras através de «troikas» rudes e violentas.

Chegámos agora a um momento em que o impasse está ali, ao virar da esquina: o o Euro chegou a um beco sem saída; as tentativas experimentadas para o tirar de lá não funcionam.

Uma união monetária que é gerida por uma instituição central não faz sentido e não poderá sobreviver se não for suportada por união orçamental.

Há ainda quem pense que o Euro poderá sobreviver se os países que já estão em queda: Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha… forem expulsos da «moeda única». Puro engano: já se percebeu a força dum efeito dominó que «comerá» uma economia após outra.

Por isso, entrámos no beco; e a parede do fundo do beco é conclusiva: ou a União Europeia se decide pelo federalismo ou… o Euro terá de desaparecer.

Mas, atenção: se, agora, o Euro tiver de desaparecer, todos perderão. E será preciso muitas décadas para a recuperação dos efeitos desta guerra, em que se não gastou uma só bala.

O copianço: a culpa é do Sócrates!

o corporativismo subjugou o estado de direito?
A notícia de que candidatos a magistrados foram apanhados a copiar num teste do Centro de Estudos Judiciários, provocou reacções indignadas.

O bastonário dos advogados, o Ministério Público e o Conselho Superior de Magistratura emitiram logo notas de protesto e indignação.

É bom verificar que, mesmo no seio do "sistema judicial", há ainda quem tenha capacidade de indignação. É bom verificar que o corporativismo não subjugou completamente o Estado de Direito.

Os cidadãos têm de ter confiança na Justiça e esta só a si própria pode restabelecer o prestígio perdido. A imagem de que os magistrados serão capazes de avaliar-se uns aos outros com a mesma severidade com que es+éramos que eles julguem os erros dos outros, poderá ser um sinal de tranquilidade para a sociedade.

Por isso, a condenação quase unânime do copianço dos magistrados foi acolhida como uma espécie de suspiro de alívio.

Mas… (por que há-de haver, num país de treta, sempre lugar a um «mas»?) a reacção do sindicato dos magistrados veio deitar água na fervura: A nota da agremiação afirma que a "descredibilização do actual modelo de formação, muito conveniente a algumas entidades", que "injustificadamente, mancha a honra de todos” é nada mais nada menos que da responsabilidade do "governo [ainda] em funções"…

Incrível? Pois é: repete-se o conto infantil do lobo que buscava um pretexto para comer o cordeiro e, por tal, responsabilizava o anho de lhe conspurcar a água do ribeiro; mas que, provado que o cordeiro nunca ali estivera, concluiu: “Pois se não foste tu, foi o teu pai” e, com dentada raivosa, devorou o bichinho.

Acreditem: para os senhores magistrados, a culpa de serem batoteiros… é do Sócrates!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

10 de Junho

dia de portugal, de camões e das comunidades portuguesas
“Jazendo [Luís de Camões] naquelle pobre leito de miserias e desaventuras, ferido da ingratidao da sua patria, e do desleixo dos homens, veio hum sujeito seu conhecido dar-lhe a triste noticia da jornada de Alcacerquivir, da morte do Senhor D. Sebastiao, e do fim funesto que ameaçava a Patria:

Ao menos, Camoes levantando-se exclama, ao menos morro com ellal Arrasam-se os olhos de lagrimas a hum dito táõ bello, táõ grande, taõ generoso.

Aquelle incomparavel homem, que tinha achado em si fortaleza e constancia para supportar tantos males, náo poude resistir a esta noticia, e cahio aterrado com a dor desta catastrophe infelicissima, succedida em 4 de agosto de i578.”

(José Maria de Souza Botelho – in «A vida de Camões, Os Lusíadas», ed. 1819)

A Pátria não morreu. Mas ainda hoje agoniza. É o nosso legado desde D. Sebastião até Sócrates - e que irá perdurar sabe-se lá até quando.

"Hoje, festejamos o que de mais precioso nos foi deixado pelos nossos antepassados: a Pátria. E é por essa herança que devemos unir vontades e esforços, de forma a garantirmos que, com este importante capítulo da História Portuguesa, possamos também proporcionar às gerações futuras o orgulho e o devido respeito por uma Nação feita com coragem e verdadeiro sentimento patriótico".
(nota de imprensa de Carlos Silva Gomes, governador civil de Faro, 2011)

domingo, 5 de junho de 2011

Hoje votamos ...

... amanhã cairemos na realidade

Durante mais de dois longos meses assistimos, estupefactos a trocas de montes de argumentos e falsos argumentos, mentiras e meias verdades, meios insultos e insultos.

Ninguém explicou nada, ninguém se preocupou com isso (salvo os dois partidos «bem» à esquerda – BE e PCP – que lá foram levantando uma pontinha do lençol mas, mesmo assim, à sua maneira).

Fomos hoje meter o voto na urna mais por questão de fé e simpatia que por outra coisa qualquer. Só um pouco de esperança num futuro melhor nos levou de 'cartanito' na mão a uma assembleia de voto desprovida de democraticidade ou convicção (havemos de falar nestas assembleias mais tarde).

Enfim, o voto lá ficou, juntando as nossas esperanças e o nosso protesto aos protestos e esperanças de mais meia centena de cidadãos.

Só que amanhã, seja qual for o resultado, iremos cair na nossa realidade: aquela que quereríamos ter podido mudar com o nosso voto. Sinceramente… não acreditamos nessa mudança.

Num folhear ao acaso dos jornais, vamos deter-nos nalguns aspectos do mundo que hoje existe e amanhã continuará a existir.

O país agrícola

Com uma média de idade de 63 anos, os agricultores portugueses são os mais velhos da Europa. E a percentagem de jovens a trabalhar no campo é a mais baixa; só 2,5% têm menos de 35 anos.

Os dados do último recenseamento agrícola do INE indicam que o produtor agrícola-tipo em Portugal é homem, só concluiu a 4ª classe e a formação que tem é exclusivamente prática.
Entre 1999 e 2009, a população agrícola familiar perdeu 443 mil pessoas e representa agora 7% do total de residentes.
(in jornal «Expresso», 3 de Junho 2011)

A justiça deste país

Apenas a Itália conta com uma proporção mais elevada que Portugal entre o número de todos os profissionais de Justiça e a sua população.

Um relatório do Conselho da Europa confere-nos também o segundo lugar na demora de encerramento de casos pendentes.

Portugal conta, entre 45 países europeus, com o segundo pior tempo de disposição dos processos judiciais, o indicador que afere a demora no encerramento dos casos pendentes; esse tempo atinge os 430 dias.
(in «Jornal de Notícias», 25 de Outubro 2010)

Empresas municipais

42% das empresas municipais tiveram um valor acrescentado bruto negativo (isto é, deram prejuízo). 115 empresas municipais tiveram prejuízos em 2009. Em algumas isso acontece há vários anos seguidos.

€ 70,3 milhões foi quanto 117 empresas com valor acrescentado bruto negativo ’roubaram’ à economia portuguesa em 2009.

158 das actuais empresa foram criadas pelas autarquias PSD e 92 por autarquias PS.
(in jornal «Expresso», 3 de Junho 2011)

Parcerias público-privadas

As parcerias público-privadas vão custar €59,6 mil milhões. Os portugueses vão andar mais 40 anos a pagar os custos das parcerias público-privadas. Uma pesada herança para nossos filhos e os netos.
(in «Expresso on-line», 13 de Abril de 2011

Corrupção

O Índice de Percepção da Corrupção para 2010 - editado pela Fundação Transparência Internacional, com sede em Berlim - coloca Portugal, mais uma vez, numa posição muito crítica, quer quando comparado com os seus parceiros europeus, quer em relação ao universo mais restrito da zona euro.

De facto, a posição absoluta de Portugal no índice é um 32º lugar, apesar de tudo um pouco melhor que o 35º do ano anterior.

Mas a sua posição relativa no bloco da moeda única coloca Portugal numa pouca honrosa 11ª posição (em 16), só à frente de Malta (em 37ª posição no ‘ranking' geral), Eslováquia (59ª), Itália (67ª) e Grécia (78ª).
(in «Diário Económico», 27 de Outubro 2010)

A pobreza

Se não fossem as transferências sociais, 41,5 por cento da população portuguesa estaria em risco de pobreza.

De acordo com o INE, 23 por cento da população portuguesa vive em situação de privação material, um valor ligeiramente acima do de 2007 (22,4 por cento). A intensidade dessa privação, ou seja, o número médio de itens em falta para esta fatia da população, era em 2008 de 3,6 (e de 3,7 nos anos anteriores).
(in jornal «Público», 15 de Julho 2010)

Desemprego

O desemprego em Portugal manteve-se nos 12,6% em Abril, revelou o Eurostat – uma boa notícia que não deve durar muito tempo. Com a economia em recessão em 2011 e 2012, a taxa irá continuar a aumentar. Algumas previsões apontam para valores acima de 13%.

Na zona euro, o desemprego português só é ultrapassado pela Espanha e Irlanda (20,7 e 14,7% respectivamente).
(in «Expresso-Economia», 3 Junho 2011).

Muitos outros aspectos poderíamos aqui abordar, num folhear dos jornais, ao acaso.

Para hoje, já chega de tristezas, na consciência de que muito há para nos 'espantarmos'.

Chega? Ora… numa República onde o Presidente se dirige aos cidadãos através do Facebook, não nos podemos admirar de nada!...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O Freeport de Passos Coelho

depois de uma campanha feita «pela negativa»…
Não é preciso dizer a ninguém que Pedro Passos Coelho não tem a minha aprovação para primeiro-ministro. Do que conheço dele, sei que lhe faltam muitos «degraus» para se poder arrogar de competência, determinação e conhecimentos, sobretudo neste momento grave que atravessamos. Sobretudo – diria melhor – para os momentos muito graves que aí vêm.

Mas, por outro lado, entendo que é um direito, sobretudo dos descontentes com Sócrates, de experimentarem novas vias.

Se for Passos Coelho que a maioria dos portugueses quiser que seja o guia dessa experiência, é um direito seu, um direito do Partido Social-Democrata, um direito de Passos Coelho e de seus apoiantes.

Mas esta via ainda não está assegurada. Falta o passo principal: o momento em que os cidadãos se decidem meter o papelinho na urna, Até lá, é como o lavar dos cestos: é vindima.

Pela minha parte espero que prevaleçam o bom senso (segundo o meu ponto de vista) e que a consciência social daqueles que falam em nome do «povo» e das «preocupações sociais» tenha um rebate e se unam em volta da esperança num melhor futuro.

Quero que o «meu» candidato tenha as mesmas oportunidades que o candidato «dos outros». Mas não consigo concordar que, para que os «meus» pontos de vista usem métodos «sujos» para atingir os seus objectivos.

Recordemos como um forjado falso «caso Freeport» prejudicou Sócrates e o seu Governo. De como esse «caso» - que não era - prejudicou a governação e, consequentemente, prejudicou Portugal. Vem este meu arrazoado a propósito do «Freeport de Passos Coelho» que já começou a dar os primeiros passos e a circular na Internet, trazendo à colação os processos de execução, as irregularidades, as dezenas de contra-ordenação e as coimas consequentes da sua actividade como administrador do grupo Fomentinvest.

O que está em causa não é o escrutínio da passada actividade de Passos Coelho no grupo empresarial de Ângelo Correia.

O que vamos escrutinar no Domingo é a vontade dos portugueses; é saber se a maior parte dos cidadãos quer experimentar uma mudança ou passar um atestado de confiança ao actual primeiro-ministro. É saber se a maior parte de nós defende, como Pedro Passos Coelho, a privatização de serviços públicos; ou se acredita na firmeza de Sócrates, na defesa dum verdadeiro Estado Social.

Seja qual for a escolha, uma coisa é certa: qualquer «freeport» contra um ou contra outro candidato só fará mal ao país; só nos prejudicará a todos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

31 de Maio – Dia Nacional do Pescador

àqueles a quem quarteira deve a sua razão de ser
Hoje, Quarteira é uma cidade cosmopolita, que vai perdendo a sua antiga identidade, fruto de uma evolução – globalização ou lá o que lhe queiram chamar.

Mas ainda há poucas décadas Quarteira era uma «aldeia típica de pescadores», marcada pelos ritmos, usos e costumes, pelos medos e esperanças daqueles que faziam do mar a sua razão de ser.

Foram estes homens crestados pelo rigor do mar que fizeram Quarteira.

Mas a cidade vai, aos poucos, esquecendo o que lhes deve. Dois toscos bonecos de pedra, numa discreta rotunda da cidade, nos quais, só «por favor» se podem evocar os antigos pescadores algarvios, ou um estilizado pescador de tarrafa – técnica que por estes lados pouco – ou nada - era utilizada, são as únicas homenagens com que os «poderes públicos» entenderam perpetuar a memória dos ancestrais.

Que o dia de hoje, 31 de Maio, o Dia Nacional do Pescador, sirva para que se reflicta sobre o que deve ser uma verdadeira homenagem.
Imagem: Monumento ao pescador e aua família, na Praia de Mira

segunda-feira, 2 de maio de 2011

3 de Maio – Dia da Liberdade de Imprensa

pelo acesso a uma informação integral e isenta
Desde 1993, na sequência de uma resolução sobre a promoção da liberdade de imprensa aprovada pela conferência geral da UNESCO, comemora-se, em 3 de Maio, o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, com o objectivo de, através dele, se homenagearem os profissionais e meios de comunicação social.

Por liberdade de imprensa entende-se a consecução dum trabalho isento e responsável, desenvolvido em prol da humanidade, que, desse modo, poderá contribuir para o seu desenvolvimento, bem como para a estabilidade e a formação social dos povos.

A conquista do direito à liberdade de imprensa chegou a Portugal com a vitória da democracia. Infelizmente, porém, como todas as formas de «liberdade» nem sempre foram entendidas e nem sempre nos foi garantida uma imprensa livre de pressões e restrições, que servisse, plena e de forma independente e imparcial, o interesse público.

Osama Bin Laden está morto

a al-qaeda estará? e o hammas? e o ira? e a eta? e ... ?
Era o “inimigo número um” da América e foi morto hoje, numa operação em Abbottabad, no Paquistão. Depois atiraram o corpo para o fundo do mar. Dizem.

O fim de Osama Bin Laden não é o fim da Al-Qaeda, mas “tornou o mundo mais seguro”, disse o Presidente norte-americano Barack Obama, que acrescentou: “Foi feita justiça”.

Oxalá o mundo tenha mesmo ficado mais seguro. Mas já se ouviu dizer o mesmo quando George W. Bush «condenou à morte» Saddam Hussein.

E não ficou!

O actual alvo chama-se Muammar Abu Minyar al-Gaddafi (ou Kadafi). Quando lhe fizerem o mesmo que fizeram aos seus netos, qual será o objectivo que se seguirá? E a seguir?

Será que alguma vez alguém vai “tornar o mundo mais seguro”?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

As pétalas perdidas da flor de Abril

a culpa é só nossa: não soubemos eleger governantes capazes

Uma mistura amarga de calculismo partidário e eleitoral e de uma profunda irresponsabi-lidade política, a que teremos de ajuntar uma falsa ilusão arrastada anos a fio, que levou um povo a acreditar que a felicidade estava ali, ao voltar da esquina, através de um crédito fácil e barato, levou-nos a uma situação de consequências imprevisíveis, sob o controlo e o comando de FMI - que uns julgaram ser a salvação e de que outros tentaram escapar como o Diabo da cruz.

Há uns anos, também a entrada na então CEE nos foi «vendida» como sendo a porta para a felicidade e a fortuna, a igualdade social, financeira e económica entre os cidadãos, a união e a solidariedade entre as nações.

Depois criaram uma moeda comum e todo um povo ingénuo acreditou que um dia o salário de um operário alemão seria igual ao de um operário português, ou que o preço de um carro em Florença seria o mesmo se o mesmo carro fosse comprado em Quarteira, ou que a qualidade do serviço de saúde em Londres seria a mesma daquele que é praticado no hospital de Faro.

Venderam-nos os sonhos mas esses, que os venderam, não tiveram engenho de os transformar em realidade. Ou nem tentaram.

E assim, os ideais despertados na madrugada de um dia 25 de Abril foram tombando, um a um, à medida que se iam desprendendo as flores forjadas no sol da utopia; por culpa nossa, por culpa dos sucessivos governos inaptos que fomos ajudando a criar com os nossos votos de esperança.

Foi também, ainda no dealbar desse 25 de Abril de há quase 40 anos, que a esquerda portuguesa exigia que fossem os ricos a pagar a crise.

Não pagaram. Continuam a não pagar e, por isso, os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

E, se a nossa independência nacional era já ténue, essa incapacidade dos sucessivos governos, com os de Cavaco, Barroso/Santana e Sócrates à cabeça, essa maldição do crédito fácil, esses mercados abutres dum défice externo provocado, sobretudo, pelo desvario automóvel que ensandeceu as famílias, atiraram-nos para os braços dessa inevitabilidade que é a ditadura da «troika» - FMI, BCE, EC.

Sócrates suportá-la-á por conveniências pessoal e política; Coelho abraçá-la-á com a ilusão da amante perfeita; os partidos de esquerda e os sindicatos protestarão, comportando-se como os meninos que fazem birra mesmo sabendo que a mãe não pode comprar-lhes o último grito da play-station; e nós, os que não temos senão o salário controlado, os que sempre fomos vítimas da mistificação de lunáticos e incompetentes, vamos pagar, pagar e pagar.

Acham que isto é culpa do 25 de Abril?

sábado, 2 de abril de 2011

De um discurso insensato ao corte de salários

culpados? – todos! o que vale a nossa classe política? – nada!

No seu discurso de reeleição, Cavaco Silva fez um discurso desnecessariamente provocador contra o primeiro-ministro e o seu governo.

Sócrates achou que quem não se sente não é filho de boa gente e decidiu devolver a deselegância, indo a Bruxelas negociar um ambicioso plano de estabilidade e crescimento, um plano anti-crise muito duro - e não deu cavaco a ninguém.

Era o detonador de que a oposição e o Presidente esperavam. Os partidos da oposição reagiram a quente e impudentemente, numa aliança contranatura, chumbando o plano que, nas suas linhas gerais, tinha sido aprovado, aceite e louvado pelos nossos parceiros da União Europeia.

O chumbo veio dar a Sócrates a possibilidade de não sair mais queimado, em vésperas do congresso do seu partido. Pediu a demissão, tal como avisara.

Estava aberta a porta para uma das situações mais graves que, desde sempre, se viveram em Portugal.

O Presidente, lavando – ou esfregando – as mãos, como Pilatos, deliberadamente, nada fez. Que lhe não tinham deixado espaço de manobra disse ele. E, jubilosamente, aceitou a demissão do primeiro-ministro, dissolveu o Parlamento e marcou eleições.

Estava paga a «afronta dos Açores». Chegou, então, a altura de se apontarem os culpados, de dedos espetados uns para os outros.

Não vale a pena procurar: foram todos – Presidente, primeiro-ministro, partidos da oposição. Ser-lhes-ia difícil, com certeza, fazer pior.

Consolidação orçamental?! Controlo do défice?! Recuperação?! Estão parvos? O falhanço da desesperada tentativa de Teixeira dos Santos para a consolidação e limitar os prejuízos da crise financeira e tudo o que se seguiu vieram mostrar o que vale a nossa classe política: Nada!

Passos Coelho, que alegremente, comandou o chumbo do PEC, escreveu uma carta em inglês a dizer que o chumbo se ficava a dever porque o plano era pouco exigente, depois foi a Bruxelas garantir que, se for nomeado primeiro-ministro, o cumprirá esse mesmo PEC integralmente e, como quem não quer a coisa, disponibilizou-se para aumentar o IVA. É para levar a sério?

A sério é que vamos ter de pagar 12 mil milhões de euros até Junho e não temos dinheiro.

O FMI vai chegar, ao contrário do que o governo queria, para nos aplicar um tratamento de choque através da política económica que nos vai impor.

Esperam-nos poupanças forçadas, cortes nos salários, aumentos de impostos, eventual substituição por títulos do tesouro dos subsídios de férias e de Natal e queda dos valores das exportações, conduzindo à falência de empresas e despedimentos em massa.

E o governo - novo ou velho – que fará? Seja de esquerda, de centro ou de direita, vai desempenhar o papel das direcções-gerais, para executar o que o Sr. FMI mandar.

E qual será o papel do Presidente? Bem, ainda poderá cortar umas quantas fitas na inauguração de albergues sociais e fazer uns discursos nas escolas ou nas sedes dos clubes de amizade Portugal-Qualquer coisa… Afinal, já tivemos um que era isso que fazia, recordando sempre que “faz hoje precisamente, um ano, dois meses e treze dias”…

Ah, é verdade: tenho de publicar este post já, para não perder a oportunidade. Porque, ou me engano muito, ou na segunda-feira, de manhã, já teremos aí o governo FMI…

domingo, 27 de março de 2011

A dança das cadeiras

irão mudar as moscas; o cheiro continuará igual…
Estou convicto que, mais dia, menos dia, haverá uma mudança política no país e que essa mudança irá, de certeza, provocar uma nova dança de cadeiras. Cadeiras que, desde há seis anos para cá têm sido ocupadas por quem o Partido Socialista - e muitas vezes, só este – reconhece méritos.

Da Educação à Cultura, do Trabalho à Segurança Social, da Formação Profissional à Juventude, do Turismo à Agricultura e Pescas; das administrações das empresas públicas aos hospitais e todas as demais administrações regionais, os lugares foram sistematicamente preenchidos por fiéis e dedicados boys, muitos deles sem provas dadas, sem experiência e até sem credibilidade.

No meio disso tudo, vão-se escapando as forças da ordem e pouco mais.

Mas tudo isso irá mudar.

Para melhor?! Quem disse isso? A mudança é apenas de moscas; isto é de emblemas e cor.

Onde hoje a entrada só foi possível aos fiéis e dedicados boys socialistas, estes serão substituídos pelos seus congéneres sociais-democratas, igualmente sem provas dadas, sem experiência e até sem credibilidade.

É Portugal no seu melhor. O país onde a mediocridade é cartão de visita e a ineficácia e improdutividade da Administração Pública são (também) consequência dos espantalhos com que os partidos do poder preenchem os lugares de chefia.

*

segunda-feira, 21 de março de 2011

Líbia, I love you !

obama retirou soldados de onde?
Não sei porquê, deu-me vontade de publicar esta foto. Tão amigos que eles eram e agora, o da direita mandou bombardear os alojamentos do da esquerda e matou uma data de civis.

Afinal, em que ficamos, senhor Obama? Se os civis são «escudo humano» podem matar-se à vontade? Ou fez isso porque o outro não o convidou para o chá? Ou só porque não gosta dele? Eu também não gosto dele; ninguém gosta; mas se desatássemos todos a matar de quem não gostamos, acha que ficava alguém para contar a história?

Os seus antecessores Bush não fizeram pior. O pai, sob o pretexto de proteger o Kowait, invadiu o Iraque; o filho voltou a invadir, para proteger os povos oprimidos, restaurar a democracia e deixar o país em paz. Não deixou; pelo contrário.

Você disse que ia retirar as tropas do Iraque e do Afagnistão. Não retirou. Pudera! – se retirasse, como ia dar vazão ao material bélico que o seu país não pára de produzir?

E agora, sob o pretexto de proteger «os revoltosos», manda bombardear a Líbia? Por que não o Uganda? (Nós sabemos, não é? – os ugandeses são uns selvagens que derrubam helicópteros americanos e, ainda por cima, nem petróleo têm…)

Para fazer a paz é preciso fazer guerra?

Explique lá isso, se é capaz, senhor Obama. Yes, you can!
*