… coelho defronta-se com a realidade e as agências 
Toda a gente se recorda que, quando José Sócrates ganhou as eleições por KO a Santana Lopes, conquistando a maioria absoluta para o PS, tinha prometido que não iria aumentar os impostos e a primeira coisa que fez mal foi nomeado primeiro-ministro,foi precisamente aumentar os impostos.
- Mentiroso! Mentiroso!
Ganhou logo ali o epíteto que o levaria até ao final do mandato. Mas foi levando a água ao seu moinho, recuperando, com Teixeira dos Santos, de uma situação à beira da catástrofe, que vinha dos tempos em que Cavaco desbaratou, em Centros Culturais de Belém e auto-estradas, o dinheirinho que veio de Bruxelas; que passou por Guterres que saiu a meio do «pântano»; de que Barroso fugiu, quando percebeu onde estava metido; onde Santana nem chegou a perceber qual a diferença entre os submarinos de Portas, as medidas sociais de Bagão e as sestas no gabinete de chefe do governo antes das noitadas da Caras.
E, quando tudo parecia correr pelo melhor na governação de Sócrates, que começava a demonstrar que, como disse mais tarde Cavaco, "há vida para além do défice"… pimba! – cai-lhe em cima uma crise internacional e tudo começa a resvalar de novo. Aqui e em toda a Europa.
A direita rejubilou: o «mentiroso» desculpava-se com a crise mundial! Mentiroso!
No entanto, Sócrates foi conseguindo manter o seu projecto de Governo, apesar das agências de rating que, em seis anos, fizeram «cair» Portugal cinco posições.
Queda com «sabor» a ouro sobre azul, para a direita: a culpa da queda do rating era do «mentiroso» e do seu governo sem credibilidade, que insistia em não parar as obras estruturantes com que julgavam colmatar a falta de investimento.
Mas Sócrates segurou-se, enquanto pôde, procurando sacrificar ao mínimo as famílias.
A direita continuou o seu trabalho de sapa, a Europa dava sinais de fraqueza crescente. O cansaço de Sócrates e Teixeira fazia-os vacilar, persistindo ainda no seu projecto, com aplauso dos seus pares europeus. Para mais, a direita fizera eleger para Presidente um dos seus «ícones», precisamente o que escolhera Sócrates para seu «ódio de estimação».
E Sócrates, perante a aliança da direita com a estrema esquerda, caiu, substituído por sangue novo, ainda que inconsistente. Caiu perante as promessas de que Coelho não iria aumentar os impostos!
E a primeira coisa que este fez… foi aumentar os impostos e tirar parte do subsídio de Natal.
Voltam as agências de rating, as agências que tem por missão avaliar (apenas avaliar) o estado das finanças dos países – as mesmas que, em seis anos, preconizaram a queda de cinco pontos ao governo de Sócrates – e, só uma delas, logo na primeira semana, percebe que Portugal não mostra fiabilidade e atira-o pelas escadas abaixo, «sacando-lhe» quatro posições e atirando-o para o segmento financeiro do «lixo».
Pois aí veio um bruaá: que as agências são as culpadas desta catástrofe nacional. Malandros, que só nos querem «lixar»!
Repararam? Em vez do treinador procurar o sistema que lhe permita equilibrar a partida, prefere queixar-se do árbitro que apenas validou um golo limpo ao adversário!
Entretanto, se na primeira semana, tal como Sócrates, Coelho aumentou os impostos (e não só), só se fala no eventual erro do árbitro e ainda não se ouviu gritar contra o treinador:
- Mentiroso!