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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Escola Básica da Fonte Santa - Quarteira

ministra da educação lançará a 1ª pedra
Isabel Alçada, ministra da Educação, presidirá à cerimónia do lançamento da primeira pedra da escola básica da Fonte Santa, na próxima terça-feira, dia 25.

A escola, em edifício de dois pisos, será composta por três salas para a educação pré-escolar e oito salas destinadas ao primeiro ciclo mas, paralelamente, incluirá espaços destinados à comunidade, incluindo um ginásio coberto.

O investimento rondará os 4 milhões de euros, e prevê-se um prazo de execução de ano e meio.
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Acabou o Inverno…

cuidado com o sol !!!
O Instituto de Meteorologia prevê para hoje uma subida acentuada nas temperaturas máximas (Faro, 30º), assim como índices ultra violeta elevados,particularmente em Bragança, Évora, Faro,Funchal, Penhas Douradas e Sines (nível 9) e, particularmente, Ponta Delgada (nível 10). A situação deverá manter-se até 6ª feira.

Alerta-se, portanto, para a necessidade de serem adoptadas precauções entre as 12:00 e as 16:00, altura em que as pessoas deverão utilizar óculos de sol com filtro UV, chapéu e protector solar.

Relativamente ao estado do mar na costa sul, as ondas serão de sueste, com um a 1,5 metros, e com a temperatura da água a rondar os 18º.
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Puerca Miséria

el portunhol de sócrates
Desfrute , porque vale a pena:

"fiquei de rástios y completamiente devástiado por dientro (y por fuera, porsupuesto) después de escutchar él nuestro primero miniestro sócrates, en madrid, hablar en una lengua que él ha llhamado de portunhol.
qué tristieza!
él hombre está malueco."

In: blogue de «antonio boronha» 17/Maio

Palavras, para quê? Poliglotas!...
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terça-feira, 18 de maio de 2010

Jerónimo quer o fim da Democracia?

a irresponsabilidade de uma moção de censura
Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, entregou hoje ao Presidente da Assembleia da República uma moção de censura ao Governo, em consequência das conclusões da reunião extraordinária do Comité Central, realizada ontem.

A moção deverá ser discutida e votada na sexta-feira, em vez do debate quinzenal da Assembleia.

Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, já anunciou que a sua bancada vai votar favoravelmente a moção, porque o desemprego, o aumento dos impostos e a redução dos salários "fundamentam" tal decisão.

Lê-se e não se acredita.

Lançar uma moção de censura, oito dias depois do fim-de-semana negro em que, só por um triz Portugal não entrou em bancarrota, só pode significar uma irresponsabildiade absoluta, já que a imagem que isto deixa transparecer é a de que alguém se está «a borrifar» para a opinião daqueles que nos estão a segurar in terminis.

E que esperam os comunistas (e bloquistas) com esta estúpida «brin-cadeira infantilizada»?

«Obrigar» o Partido Social Democrata a revelar-se «coligado» com o Partido Socialista?

Fazer cair este Governo? Para quê? Para que novas eleições venham repor um governo minoritário, seja ele socialista ou social democrata, que só poderá manter – se não agravar – as duras medidas a que os portugueses vão estar sujeitos?

É este o sentido de responsabilidade dos comunistas? Ou estará Jerónimo convencido de que os portugueses iriam entregar à extrema-esquerda os destinos do país?

O mais certo é, apenas, que com um governo mais fragilizado ninguém possa evitar a bancarrota e, com isso, o fim da Democracia em Portugal.
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Desculpe. Falou em ética?!

e eleições não estão acima das suas convicções?
"Há momentos na vida de um país em que a ética da responsabilida-de tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um" – foi o que afirmou o Presidente Cavaco Silva ao anunciar que ia promulgar o diploma que permite o casamento homossexual.

Cavaco Silva sentiu necessidade de vir à televisão mostrar que promulgou a lei a contra-gosto e fê-lo com cara de poucos amigos, demonstrando mau-perder. Cara de quem sabia perfeitamente que não poderia fazer outra coisa, apesar do apelo papal de dois ou três dias antes (deu jeito, não deu, senhor Presidente Cavaco?).

Apresentou-se o Presidente ao país com uma expressão de enfado, como quem acabara de engolir um elefante vivo. Disse que promulgou contra as suas “convicções pessoais”, puxou as orelhas ao Parlamento, como quem castiga uns garotos travessos que acabam de partir o vidro da janela da vizinha a jogar à bola, e falou da “ética da responsabilidade”.

Ética, senhor Presidente?

Ética seria não ir contra as suas convicções e vetar o diploma ou devolvê-lo ao Parlamento, na (sua) certeza de que isso seria o mais certo para o País, mesmo sabendo também que a maioria dos deputados o voltaria a votar favoravelmente.

Mas isso seria admitir a derrota, não era senhor Presidente? Isso seria, ainda, pôr o que julgaria ser o mais certo para o país, acima do seu próprio interesse pessoal.

A verdade é que as eleições presidenciais estão aí à porta e a não homologação iria fazer perder muitos votos.

Até porque um voto gay é um voto como qualquer outro, ou não?
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Inauguração do Crowne Plaza de Vilamoura

a unidade prevê 200 postos de trabalho
O primeiro hotel «Crowne Plaza» em Portugal vai abrir portas no próximo dia 3 de Junho, em Vilamoura.

O Crowne Plaza Vilamoura Algarve – Beach Golf & Conference Hotel, cuja inauguração chegou a estar prevista para Janeiro passado, representa o primeiro acordo de franchising entre o Intercontinental Hotels Group e o Grupo Marope, empresa portuguesa do ramo imobiliário e hotelaria.

O novo hotel, que ocupa o espaço onde se erguia o antigo Atlantis, terá 327 quartos e suites, das quais se destaca uma suite presidencial com cerca de 300 metros quadrados, instalações para conferências, com cerca de 1.200 metros quadrados de espaço para reuniões, das quais, uma só sala com área de 760 metros quadrados.
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Atletismo em Quarteira

2º meeting da cidade de quarteira
Um aspecto da corrida feminina de 1500 m, com Valéria Santos a disputar a liderança.
No Dia da Cidade de Quarteira, disputou-se, no Estádio Municipal, o 2º Meeting de Atletismo, numa organização do CDQ com o apoio da Câmara e da Junta de Freguesia.

O encontro reuniu 159 atletas (sendo dez estrangeiros) de mais de 20 clubes.

Segundo a organização, “um dos momentos mais altos da noite estava reservado para os 3000 m”, prova em que apenas 28 centésimas de segundo separaram o atleta finlandês Niclas Sandells (8´13”39) do seu compratriota Mikael Bergdahi, deixando o 3º lugar do pódio para o atleta do Benfica, Jorge Varela.

Nas categorias jovens, Catarina Marques (iniciada do CDQ) venceu os 2000 m marcha, em 11´11”71. Ainda na marcha, mas nos 1000 m, Artur Domingos venceu com a marca de 5´16”73, e na prova feminina, a vitória foi para a Carolina Costa (5´19”22), à frente da benjamin Cristiana Vieira do CDQ.

Na corrida de 1500 m, a vitória sorriu a Carla Covelo, do Clube Faro XXI, é frente de Valéria Santos e Anabela Moreira do CDQ.
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Os Petiscos do Pescador

peixe, marisco e música a rodos
Imagem: «Lavada 2008», foto de arquivo da CML
No dia 31 de Maio, assinala-se o Dia do Pescador, uma efeméride em que se homenageiam todos aqueles que fazem da pesca a sua vida.

Há já alguns anos que a Quarpesca organiza os festejos e, este ano, a festa volta à Praça do Mar, entre os dias 3 e 6 de Junho, com «Os petiscos do pescador» que procura ser uma mostra gastronómica aberta, não só à comunidade piscatória, mas a todos os quarteirenses e visitantes que, uma vez mais, poderão participar ou simplesmente assistir ao puxar da rede da tradicional lavada.
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Dia Mundial dos Museus

museus e turismo de mãos dadas este ano
Por iniciativa do Conselho Internacional dos Museus, comemora-se hoje, 18 de Maio, o «Dia Mundial dos Museus».

Este ano, em Portugal, realiza-se um conjunto de iniciativas subordinadas ao tema «Museus e Turismo».

Quarteira, é claro, está fora. O Cerro da Vila, como tudo que fica em Vilamoura, assemelha-se ao parente rico que olha sobranceiro para o seio familiar. O Museu do Mar, o Museu do Pescador… não passam de sonhos, delírios... do parente pobre. Até quando?
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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mendes Cabeçadas em exposição evocativa

o homem e a república no seu tempo
A Câmara de Loulé vai prestar homenagem ao primeiro Presidente da República louletano, José Mendes Cabeçadas Júnior (1883-1965).

A exposição «José Mendes Cabeçadas e a República no Algarve» integrará as iniciativas destinadas a celebrar o Centenário da Implantação da República, e estará aberta ao público, no Convento de Santo António, a partir de 25 de Maio até 27 de Novembro.

A mostra integra-se, igualmente, numa iniciativa da «Rede de Museus do Algarve» e procura mostrar Mendes Cabeçadas não só como militar, mas também o seu envolvimento nos negócios e na política, civicamente empenhado, regionalista e opositor ao regime salazarista.
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«Tour Agarra a Vida» em Quarteira

para uma juventude sã de corpo e espírito

No vídeo: «Ruben Faria super-slow» - o campeão nacional de skate em acção
No próximo dia 21 de Maio, estará na escola EB 2,3 D. Dinis, a iniciativa “Tour Agarra a Vida”, um projecto iniciado em 2001, que tem em vista a prevenção das toxicodependências e promoção da igualdade de género e da não violência no namoro.

Através da utilização de desportos radicais, a iniciativa pretende demonstrar que é possível passar momentos divertidos, sentindo a adrenalina de forma saudável, não violenta.

Os melhores atletas nacionais de patins em linha, skate e BMX parti-cipam na campanha, com demonstrações das suas modalidades, no skatepark itinerante construído pela Academia dos Patins - promoto-ra da iniciativa - em cada uma das escolas visitadas pelo «Tour».

Rúben Rodrigues e Rita Brilhante, campeões nacionais de skate; Daniel Serra, campeão nacional de BMX, e Fábio Pereira, campeão nacional de patins em linha street, serão alguns dos atletas que deverão fazer demonstrações na referida escola de Quarteira.
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domingo, 16 de maio de 2010

Futebol de Quarteira

manutenção à vista
Campeonato Nacional da 3ª Divisão – zona F – permanência

Montemor 4 – Castrense 1
Fabril 2 – Lusitano 1
Quarteirense 3 – Moura 2

Vitória preciosa para a equipa de Quarteira, uma vez que as duas últimas jornadas parecem «de feição» para os quarteirenses. É só mais um esforçozinho e a permanência na 3ª divisão pode estar garantida.

Campeonato Distrital da 1ª Divisão

Lusitano 3 – Armacenenses 0
Sambrasense 4 – Salir 2
Messinense 2 – Campinense 2
Castromarinense 1 – Ferreiras 0
Almancilense 2 – Serrano 2
Imortal 0 – Silves 3
Guia 1 – Culatrense 2
Odeáxere 0 – Quarteira 0

Não é que importe muito, já que se tornou improvável que o Quarteira S. C. desça abaixo do 12º lugar. A permanência neste escalão está garantida. Mas, na primeira parte do campeonato, a equipa prometia mais…

Discotecas a jogar ao ataque

para travar concorrência desleal
A Associação de Discotecas do Sul e Algarve, através de um seu associado de Almancil, afirmou à Lusa que pondera avançar com providências cautelares para impedir a "concorrência desleal" de espaços nocturnos "licenciados ilegalmente" e até financiados por autarquias, nos meses de verão.

Foram citados os exemplos de espaços licenciados no ano passado como o Manta Beach e o Sasha, autorizados e apoiados pelas Câmaras de Vila Real de Santo António e Portimão e também “o caso da câmara de Loulé, que licenciou um espaço num centro de congressos” – uma referência clarão licenciamento do Tivoli Marina de Vilamoura.

"São os nossos impostos que são recebidos para fazer concorrência aos nossos espaços. Isto é roubo. A isto chama-se roubar."
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sábado, 15 de maio de 2010

Lá vamos, cantando e rindo

levados por incompetentes, para o abismo fatal
Escrever este editorial é mais que uma desafio, mais que um desabafo, mais que uma necessidade: é um imperativo de alma e consciência, para denunciar que a ambição, a hipocrisia e a falsidade se escondem muitas vezes atrás da inconsciência, da concupiscência e, tantas vezes, se quedam num disfarce à incompetência.

Foi assim, de trambolhão em trambolhão, arrastados por situações semelhantes, que Portugal chegou a este ponto.

Feito este intróito, que fica também como advertência aos que me lançaram o desafio, vamos então ao que importa.

Dantes, os políticos faziam-se na vida, nas suas profissões, espe-cializavam-se, adquiriam competência e experiência e, então, pelo reconhecimento de outros, acabavam por ingressar na vida pública.

Montalvão Machado, Maria de Lourdes Pintasilgo, Salgado Zenha, Adão e Silva, Jacinto Nunes, Medina Carreira, Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes, Leonardo Ribeiro de Almeida, Almeida Santos, Teófilo de Carvalho são nomes que me vêm à mente quando falo em políticos sérios, competentes, íntegros.

Hoje não é nada disso. Os «putos» decidem: “vou ser político” e desenham o seu futuro à volta dessa ambição que nada justifica. O primeiro passo é colarem numa «jota», como pau para toda a obra – de colar cartazes ou pintar paredes a distribuir na escola auto-colantes a dizer «vota na C». Depois é deixarem-se levar, fazendo jeitos a uns, prestando vassalagem a outros, servindo de capachos a terceiros, até que arranjam um lugarzinho no IPJ ou como assessor de um qualquer político na prateleira de uma Direcção Regional. Se, entretanto forem capazes de puxar o tapete a esse «da prateleira», tanto melhor pois mais hipóteses lhes ficam de «assilhar» o rabo na cadeira que o outro usava. Senão, é só esperar que o outro tenha uma escorregadela para «lhe cair em cima».

A seguir, as oportunidades vão surgindo, numa espiral ascendente: autarca, candidato a deputado e, se apostar no cavalo certo, até pode ser que consiga uma lugarzinho no Governo da Nação. Já está!

Se for preciso fazer um curriculum vitae para apresentar publicamen-te, é só pedir a um dos professores instalados em qualquer instituto universitário que o «requisite» como assistente para que possa designar-se «docente», ou, não havendo essa hipótese, se conseguiu o bacharelato do curso de psicologia, intitula-se «psicólogo», se o seu pai tiver uma merceariazinha de esquina, é só escrever «empre-sário» no local onde diz ‘profissão’ ou, falhando tudo isso, é declarar-se como «consultor».

Fácil: descrevendo e enfatizando tudo o que fez na política desde os seus verdes anos em que distribuiu os auto-colantes da «lista C» e ajuntando essa notável profissão, o curriculum está pronto para ser ministro. Ou mesmo a primeiro-ministro. Se Durão Barroso, Santana Lopes ou Sócrates conseguiram…

Assim chegámos a esta situação de um qualquer marmanjo que nunca tenha feito nada de interessante na vida, poder ambicionar as rédeas de um partido ou mesmo do país. Olhemos à nossa volta e fixemo-nos nas bancadas de todos os partidos que têm assento na Assembleia da República: os exemplos não faltam. É só meter os nomes… Posto isto, vamos ao que motiva este editorial.

Portugal atravessa uma crise sem precedentes, vítima de uma conjectura internacional mas também e sobretudo vítima daqueles que nos têm governado nas últimas décadas. A situação é tão grave que os dois maiores partidos portugueses se viram obrigados a tentar esquecer o que os separa para se unirem no que os juntam: o interesse nacional, perante a ameaça externa.

Fizeram os partidos e os seus líderes o que lhes competia, para poderem transmitir ao mundo uma imagem de credibilidade e coesão nacional.

E eu, que não sou «socrático» e muito menos «coelhista», ainda que discordando de pontos do seu acordo, tenho que lhes reconhecer e agradecer o esforço e a coragem.

Foi, com certeza, uma opção difícil para os dois partidos e sapos vivos que ambos os líderes, Sócrates e Coelho, tiveram que engolir. Mas fizeram-no, arriscando, com o seu acto, suportar as críticas e incompreensão dos radicais, dentro e fora das suas agremiações políticas.

Feito o que era mais difícil, esperava-se que «lá fora» se reconhecesse o acto e «cá dentro» se respeitasse a decisão – o que não é, necessariamente o mesmo que não discutir os termos do acordo conseguido. E as críticas vieram, como seria de esperar, com moderação, com sentido cívico e da responsabilidade nacional.

Mas há sempre uma ovelha negra que, num rebanho, consegue ferir a harmonia, a despropósito, sem o sentido das conveniências. E, neste caso, ela surgiu, precisamente no seio do partido do Governo, aquele que tem o dever de tentar levar a nau, se não a bom porto, pelo menos a uma baía mais tranquila.

Surgiu pela voz de um dos tais «jovens turcos» do PS, um dos tais que, na adolescência, começou por distribuir auto-colantes e depois foi trepando, trepando… e que agora se acha o mais capaz para disputar a Sócrates a liderança do Partido – António José Seguro.

Quem é este Seguro? Segundo o seu próprio currículo público, aos 23 anos, já tinha chegado ao grupo parlamentar do PS, eleito no círculo de Lisboa. E tomou o gosto. A partir de 1991 foi eleito deputado, sucessivamente: pelo Porto, pela Guarda, novamente por Lisboa e actualmente… por Braga.

Pelo meio, o nosso homem chega a secretário de Estado, a ministro-adjunto do primeiro-ministro, para além de ter sido eleito para as Assembleias Municipais de Penamacor e de Gouveia.

Com tantas funções acumuladas, não admira que Seguro, em 1999, se tenha sentido cansado da política «caseira» e, pelos vistos, para desanuviar, concorre ao Parlamento Europeu, onde fica até 2001, após o que regressa a São Bento.

Vindo de um areópago onde «inovação» e «empreendedorismo» são termos imperativos, chegou, com certeza, cheio de ideias que ultrapassavam os limites da carteira de deputado.

Começa a demonstrar inconformismo e, sobretudo a partir do momento em que Sócrates foi eleito líder do Partido Socialista, a revelar uma certa rebeldia e muitos «bichos-carpinteiros», acorrendo a todos os altares onde pudesse revelar uma frase incómoda, fosse ele numa entrevista televisiva, numa tertúlia temática ou em qualquer clube de bairro onde lhe fosse facultada a evidência.

Era por demais notório que Seguro aspirava «mais alto» e era previsível que, mais dia, menos dia, iria disputar a Sócrates a sela que este cavalga. Bastava-lhe aguardar o momento em que este baixasse as defesas ou revelasse alguma fragilidade.

Só que Sócrates conseguia ir sobrevivendo a todas as investidas, das mais justas às mais profundamente infundadas ou mesmo imbecis.

Mas agora José Sócrates teve que mostrar o flanco aos seus detractores internos, ao fazer esta «aliança» com o «inimigo». Era agora! Porque se a oportunidade passasse e se Portugal conseguisse sair do beco em que está metido, o primeiro-ministro poderia ressurgir mais forte e prestigiado.

Seguro avançou um ataque: afirmou em Guimarães que só não avançou em 94 porque ainda se não sentia preparado e, numa retumbante entrevista no «Expresso» de hoje, declarou, alto e bom som, que está pronto para liderar o PS. Não mediu Seguro o alcance do que fez; não pensou que a imagem do primeiro-ministro, agora, que os olhos da Europa lhe seguem todos os passos, tem de transmitir uma aparência de segurança, tranquilidade, aceitação pública e determinação. Não pensou, com certeza, nas consequências que poderão advir, do exterior, de uma qualquer – mesmo aparente – fragilidade do chefe do Governo.

Ou se pensou - o mesmo José Seguro que, na véspera, afirmara no Conselho Nacional que "este é o momento das soluções, não é o mo-mento para fazer outros debates, nomeadamente discutir o caminho que o país seguiu para chegar a este ponto" - deixou transparecer que essa falta de tacto revela, simultaneamente, uma incapacidade para assumir, com competência, a gestão do Governo de um país que precisa, urgentemente, de sair “deste ponto”. E assim vai este nosso Portugal.

E nós, lá vamos, cantando e rindo, levados… Levados, sim! - pela incompetência que traz um país “neste ponto”: a cair de rastos, a encher de aflição as donas de casa na hora de decidirem o que comprar para o jantar.
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Perdoa-me República…

“não é a altura de se apurarem responsabilidades”
Poucas horas depois do encontro a sós com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho pediu desculpas aos portugueses por ter dado o dito por não dito quanto ao aumento de impostos.

Mesmo tendo deixado, então, um aviso que o seu «sim» não signifi-ca um “cheque em branco” ao Governo para o próximo orçamento e muito menos um acordo de governação, o estilo do «perdoa-me» de Passos Coelho não caiu bem a vários dirigentes do partido: a «genuinidade» referida pela direcção pode confundir-se com populismo, dizem os mais críticos - um estilo impensável nas lideranças de Ferreira Leite ou de Durão Barroso.

Macário Correia é um dos mais cáusticos, ao alertar para o perigo de um "espírito de bloco central" com o PS no poder, a "esconder a auto-nomia do pensamento do PSD". Diz o presidente da Câmara de Faro que o país precisa de uma linha de pensamento alternativa, que - "pode ter muitas faixas de convergência" mas não deve ser unânime

Ao contrário do que muitos esperariam após a eleição do novo líder, as coisas não vão bem nas cúpulas – e não só - do PSD. Agora, o estado de graça de Passos Coelho dentro do partido é uma espécie de sauna seca: o acordo com o Governo para as medidas de austeridade pode causar desconforto, depois de meses de ataques violentos a Sócrates e ao PS. Mas os mais críticos, para já, ficam publicamente calados, ainda que critiquem ferozmente, em privado, que o líder tenha afirmado que esta “não é a altura de pedir de se apurarem responsabilidades”.

Só ficam silenciados porque Passos Coelho acrescentou que a altura é sim, “de dar a mão ao país”.