quem está confiante? quem está feliz? ai se eu fosse mais novo… 
Pedro Passos Coelho falou hoje, no Calçadão, na rentrée do PSD.
Disse ele que "o caminho da conflitualidade que temos visto aparecer em outras sociedades não é o caminho que desejamos para Portugal" (fingiu que se esqueceu do que ontem disse o ministro Aguiar Branco, perante os militares. Mas havia, entre os comensais, quem não se tivesse esquecido).
Percebe-se que o primeiro ministro queria referir-se aos episódios de violência registados na última semana no Reino Unido e anteriormente na Grécia e... bem fiquemos por aqui, para já.
Depois dirigiu-se aos parceiros sociais, dizendo que o actual Governo quer "fazer o que é inevitável fazer da melhor maneira" e "ouvindo todos" (e a mim, ouviu? Eu acreditei em si...)
Disse que o país está mais tranquilo, E veio com o que se esperava: “o que está a ser hoje exigido a cada português não é apenas paciência e espírito de sacrifico mas também a noção de que estamos a fazer algo que ficará na história".
Acha Passos Coelho que hoje "o País está mais confiante por saber que os sacrifícios que estamos a fazer e vamos fazer vão permitir virar uma página negra da nossa história"; e lembrou que "nem uma família, nem num empresa ou um País resolve um problema de excesso de despesa com mais despesa". Por isso - disse - "este governo tem cortado despesa todos os dias porque sabe que não há outra maneira de proceder”.
O país pode estar mais confiante, senhor Passos Coelho; o senhor diz, é porque sabe. Mas não sei como é que sabe. Com certeza que não é conversando comigo e com os muitos milhares que, como eu, estão com a corda na garganta. A esses, sim, têm-nos cortado tudo: na despesa e na receita. Estamos tramados.
Mas o ex-ministro Mira Amaral comprou por 40 um banco em que todos nós já tínhamos empatado dois milhões e meio. Cortou no senhor Mira Amaral?
Feliz, isso sim, só um dos trabalhadores do meu estabelecimento: recebeu ontem a confirmação de que tem um trabalho à sua espera, em Luanda. Onde lhe pagarão mais do dobro do que eu algum dia poderei sonhar em receber.
E vem o senhor, a Quarteira, para dizer que "até ao final deste mês", apresentará um "programa ambicioso que estará, em grande medida, aplicado até final de Outubro"!... Vem tarde, senhor primeiro ministro. Já não tenho saldo para pagar as dívidas. E não posso «cortar» mais nada. E não posso pedir à «classe média» deste país que pague as minhas dívidas. A classe média sou eu e outros como eu, que vivemos contando tostões e azedume…
Eu não estou feliz, senhor Passos Coelho – nem sei como resolver o que terei de pagar de IRS, até final do mês.. O meu filho mais velho não está feliz – a empresa onde trabalhava faliu ou coisa parecida, e fechou a porta. A minha nora não está feliz - não lhe renovam o contrato na escola. Nem o netinho está feliz – acho que queria uma bicicleta. O meu vizinho não está feliz, nem se conforma – não pode fazer a cirurgia que já tinha data marcada. Afinal, quem está feliz? Os senhores que o senhor nomeou para a CGD?
Nem senhor, com o ar crispado que usou, me pareceu muito feliz, mesmo tendo conseguido ser primeiro ministro.
Por isso, quando se dirige aos «parceiros sociais»… já lá não estou. O senhor deu-me o empurrão fatal.
Ai se eu fosse mais novo…
A festa? Ah, sim, esteve bonita, mesmo sem aquelas bandeiras todas do costume, mesmo com as palavras de circunstância (no meu tempo, chamávamos-lhes «graxa») dos lideres locais. O tempo ajudou, uma vez mais. E o ego de Passos Coelho e dos seus «próximos» ficou mais inchado.