apelos à alegria e espontaneidade populares

"Povo que trabalha e que reza, povo que ama, que folga e se diverte. Após garantir o sustento, após orar e agradecer à divindade, o rural dá largas ao seu ludismo, expande os seus impulsos amorosos, entrega-se à diversão e à folia. Referimo-nos (…) particularmente aos bailes e às danças populares. (...)"
José Alberto Sardinha (In "Tradições Musicais da Estremadura)
No princípio do século passado, os principais instrumentos que animavam os «balhos» rústicos eram: a flauta, o harmónio ou a gaita de beiços ou mesmo a gaita de foles, conforme as regiões.A mocidade tratava carinhosamente o tocador da aldeia e, quando chegava a ocasião, iam-no chamar para a função. Num intervalo da bailação, fazia-se, depois, uma colecta para arranjar uns cobres para o compensar.Nos dias de festa era hábito «falar» a um tocador de fora. Isso exigia uma maior preparação do baile, anunciando-o pelas aldeias vizinhas e estabelecendo entradas pagas.
A grande maioria dos tocadores mantinha um reportório muito semelhante, com base na tradição musical da província: fandangos, verde-gaios, contradanças e corridinhos iam alternando com um ou outro tango, uma valsa ou um paso-doble.Coincidindo mais ou menos com o final da segunda guerra Mundial, começaram a surgir os conjuntos musicais, mas apenas nas terras maiores e nas festas especiais. Chamava-lhes o povo os jazebandes (jazz band). Mas era ainda o acordeão que reinava no baile da aldeia.
Com o correr dos tempos e com a maior facilidade de divulgação da música que se faz em todo o mundo, o «balho» foi perdendo terreno para outras manifestações mais cosmopolitas. Além disso, a globalização, ao impor as suas regras traz consigo alguma ausência de voluntarismo e, com isso, começa a ser mais rara a iniciativa popular e, consequentemente, começa a faltar o aparecimento de organizadores de festas e bailes.
José Alberto Sardinha (In "Tradições Musicais da Estremadura)

Até quase ao final do século passado, em muitas localidades, sobretudo nas de menor dimensão, ainda se organizavam os «mastros» com as suas fogueiras e bailes populares.Hoje, quase só por iniciativa das autarquias, ainda se conseguem, de vez em quando e com um certo artificialismo, trazer à memória e à saudade do povo, o antigo baile popular.
Por isso, é de louvar que, nos programas de animação de rua, se procure trazer até junto das pessoas essas recordações de uma tradição que vai caindo no olvido e no desinteresse.
Saúda-se, por isso, a iniciativa de trazer os bailes de rua que, no programa de animação de Verão, se realizam na Rua Vasco da Gama.
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1 comentário:
A que dias acontecem os bailes de verão?
Obrigada
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