se até o mosteiro da batalha, 626 anos depois, não está pronto... 
Seruca Emídio fez um show-off de todo o tamanho: dizia que iam construir um «centro cultural» em Quarteira, no mesmo local onde já estivera prevista a construção de um mercado.
Encarregou um dos mais conceituados arquitectos portugueses para fazer um «boneco» do que iria ser esse tal «centro cultural de Quarteira».Trouxe o homem cá, convidou a imprensa, disse que fazia um parque de estacionamento subterrâneo e - espanto dos espantos - um mini auditório para trezentas (!) pessoas.
Souto Moura, o tal conceituado arquitecto, veio a Quarteira mostrar como ia ser aquilo tudo, muito moderno, muito avançado, com auditório, estúdios, biblioteca, bar e sei lá que mais.
É claro que havia um bico-de-obra (em Quarteira há sempre um qualquer bico-de-obra): faltava o terreno porque o espaço que era propriedade da Câmara era «curto» – Que não, que isso não era problema porque um construtor dava o terreno que faltava desde que pudesse construir uns prédios, no espaço restante.
Contra os narizes torcidos à ideia de mais umas dezenas ou centenas de habitações numa área já de si «sobrecarregada», a ideia vingou. Fazia-se ali, e pronto.
Agora, parece que o tal construtor faliu. O seu projecto habitacional «foi ao ar». Consequentemente o tal terreno que faltava para a construção do «centro cultural de Quarteira» voou com ele.
Há dias, a Câmara mandou alcatroar uma parte do terreno destinado a essa estrutura cultural. Crê-se que se destine a estacionamento pago. Crê-se!...
Do tal «centro cultural de Quarteira» ninguém mais falou. Nem Seruca Emídio e os seus vereadores, nem os da oposição, nem a Junta de Freguesia. Ninguém. Um pacto de silêncio esmagou a promessa.
Passaram anos. Na semana passada houve por aí uma festa de aniversário da cidade, com actos oficiais, inaugurações, visitas e outros shows-off para jornalistas verem e anotarem novas promessas; mas nem uma palavra sobre o mal-aventurado «centro cultural».
Será que o «centro cultural de Quarteira» morreu e foi enterrado debaixo do alcatrão do (futuro?) parque de estacionamento?
Ou está tudo no segredo dos deuses e os quarteirenses não têm o direito de ser informados sobre aquilo que lhes diz respeito?
Ou pensa a Câmara de Loulé que os quarteirenses já são tão cultos que podem perfeitamente dispensar um Centro Cultural? Pois se há quase 20 anos nem uma salinha de espectáculos existe na cidade…