
Aquilo é tão mau, que a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) denunciou, em comunicado, o que considera ser um “conjunto de ilegalidades e disparates cinegéticos”, nomeadamente a abertura da caça ao melro, após mais de 20 anos de proibição.
Por isso, a SPEA irá voltar a fazer queixa à Comissão Europeia (em 2008, após queixa da SPEA, a Comissão Europeia obrigou o Estado Português a alterar o calendário venatório), esperando que “Portugal e a futura tutela das florestas e da caça, sejam notificados para corrigir o que já tinha sido corrigido".
A portaria tem, na opinião da SPEA, “períodos de caça ilegais para quatro espécies de patos: pato-real (Anas platyrhynchos), marrequinha (Anas crecca), frisada (Anas strepera) e negrinha (Aythya fuligula)” e permite a caça ao pato “em Agosto e Setembro, quando as populações migradoras ainda não chegaram e as populações locais (algumas ameaçadas, como o Pato-colhereiro Anas clypeata e o Zarro Aythya ferina) ainda estão a criar”.
Denuncia a SPEA que “Portugal continua a ser um dos poucos países da Europa Ocidental onde ainda é permitido usar munições com chumbo em zonas húmidas, contribuindo para o envenenamento de milhares de patos e outras aves todos os anos”.
Por outro lado, "ainda caçamos espécies migradoras que estão diminuir drasticamente há décadas, como a rola-comum (Streptopelia turtur) e o estorninho-malhado (Sturnus vulgaris)".
Para cúmulo dos disparates, a Secretaria de Estado “decidiu colocar uma cereja em cima deste bolo”, permitindo a caça ao Melro (Turdus merula). “o simpático e inofensivo pássaro que habita os nossos campos, os nossos jardins, a nossa poesia e a todos enche de alegria e esperança com a sua melodia no final do Inverno“.
E com tanto passrão, melros de bicos de todas as cores, que governam (?!) este país… por que não autorizar a caça aos melros-da-política (Turdus merula politicum)?
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