macário aceita bem o congresso; outros divergem
Quando Santana Lopes disse que ia recolher assinaturas para um congresso extraordinário, houve quem tivesse rido a bandeiras despregadas.
Entre as cúpulas de Faro houve quem mantivesse um silêncio pru-dente, quem tivesse barafustado e outros (alguns «indefectíveis» de Santana há meses atrás) que tivessem gozado «como uns perdidos».
Manuela Ferreira Leite, talvez porque acreditasse que Santana falha-ria na campanha de recolha de assinaturas, considerou, nessa altura- "bastante positivo" que houvesse um congresso extraordinário.
Ontem, depois de Santana ter entregue as assinaturas e pedido o conclave para a primeira semana de Março, Manuela (agora refém e marioneta de Pacheco Pereira) já não manteve a mesma posição.
Foi o sinal para a desorientação nos sociais-democratas, divididos uma vez mais: Directas? Congresso? Um debate antes da eleição do líder? Eleição seguida de congresso?
Aguiar Branco assustou-se e apressou-se a dizer que não contem com ele para ir contra Passos Coelho; Marques Mendes saiu da sombra a esfregar as mãos e até o jardim da Madeira veio dizer umas coisas que cheiraram a lugares comuns imitados de quem tem bom senso (o que a ambição política faz!).
No seu programa de domingo, na RTP1 (prestes a findar), Marcelo foi avisando: o líder que sair, seja quem for e como for, será um líder de substituição e a prazo e por não mais de dois anos.
Mendes Bota, mestre na arte de «manobras tácticas», tal m’sieur de Lapalice, acertou no vocabulário (não havia modo de falhar): "inicia-tivas avulsas" para a realização de um congresso extraordinário é a confirmação da ausência de liderança do PSD, um partido que é um - "autêntico barco à deriva sem capitão".
Por isso, o líder dos social-democratas algarvios quer eleições directas – quanto antes, melhor.
Depois poderá vir o debate nacional com as bases do partido, e com os candidatos à liderança e as suas ideias. Esse – diz – é o único caminho estatutário.
Macário, prudente, disse à Lusa que, se for para haver congresso, que se faça já, para que o partido esteja preparado para governar "a qualquer momento".
Segundo diz, o congresso antes das directas para a escolha do líder é a burocratização do processo; mas o mais importante é que o congresso ocorra o mais depressa possível. "Pela via da recolha de assinaturas conduz a dois congressos, de outro modo poderá realizar- --se só um congresso" – acrescenta.
O resto da Comissão Política Distrital parece um mar de areias movediças: Desidério só se confessa a quem quer e em privado; Antonieta está em Lisboa e parece só ter cabeça para os problemas das suas comissões parlamentares - de resto, Portimão é um mundo à parte - enquanto Botelho e Piedade (e mesmo Graça), de Loulé, são caixas de eco de Bota; e o pessoal de Faro (com a excepção do «delfim» Elidérico) prefere aguardar a posição do presidente da autarquia farense – que não integra a comissão política nem a mesa da assembleia, mas que é, incontestavelmente e no presente, o homem mais forte do partido, no Algarve.
Como se vê… cada um não sabe bem para onde vai lançar a sua seta…