

Do Testamento espiritual de São Luís a seu filho
(Acta Sanctorum, Agosto 5 [1868], 546) (Sec. XIII)
A Câmara de Loulé enviou uma nota aos jornais sobre a festa de S. Luís, que se vai realizar em Querença em 25 de Janeiro, onde se afirma que “as raízes deste evento [festa das chouriças] remontam a uma época em que, no interior algarvio, as famílias tinham o hábito de criar o seu porco para sustento ao longo do ano. Era igualmente tradição pedir a São Luis, patrono dos animais, que conservasse em boas condições o porco, para garantir a alimentação do agregado familiar. Em forma de gratidão as famílias ofereciam ao Santo Protector as melhores chouriças caseiras. A crença diz que em Janeiro é tempo de glorificar o Santo que ajudou na criação dos animais”.
Quando não se sabem as coisas, é muito feio inventar.
A uma autarquia «fica mal» difundir informações erradas.
É que à bênção de S. Luís, patrono dos animais domésticos - em todo o mundo e não apenas na serra algarvia – costumavam as pessoas, nos séculos passados, acorrer com “suas bestas e bichos de criação”, pedindo a protecção para esses animais, do santo que fora rei de França, um grande estadista e homem de virtude e, por isso, canonizado em 1297 pelo papa Bonifácio.
Sobre as chouriças e as côngruas paroquiais… Isso são outras realidades.
É que os párocos recebiam a côngrua em géneros, cuja quantidade não podiam consumir e, por isso, procediam à respectiva venda, normalmente em hasta pública. Daí, sim, vem a festa das chouriças, de Querença.
A Câmara de Loulé, em vez de se informar previamente, presta levianas informações e, consequentemente, um mau serviço à comunidade.
Bem faria aos responsáveis autárquicos e a quem por eles transmite informações, ler o testamento espiritual do rei-santo.
Valha-lhes São Luís!
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