
Num tom vivo, polémico e bem-humorado, o ex-ministro das Finanças declarou repetidamente, e com exemplos, que a actual classe política portuguesa está mais interessada em fazer os seus negócios, do que em fazer uma aposta séria na captação de investimento estrangeiro para o País.
Num estilo inconfundível, fez um diagnóstico do país e da governação, com ataques mordazes a todo o espectro político português.Entre as opiniões certeiras, e controversas, uma das figuras mais criticas do estado das finanças públicas portuguesas deixou uma série de afirmações no ar que vale a pena reter:
“ a mediocridade está instalada nos partidos; por conseguinte, a competição não convém. Aquilo são feudos, onde eles vão tratando das suas respectivas vidas”
“sempre que um partido em Portugal tem maioria absoluta, os deputados ficam reduzidos a zero. Se tem maioria relativa, há estas contendas brutais em que o PSD está metido porque sabem que sem ir ao Governo não têm lugares para tratar da vida e dos negócios e, portanto, degladiam-se para ver se têm acesso aos lugarzitos que restam. Isto é a vida partidária”.
“O poder é negócio. [Alguns] que entraram para o Governo e eram uns pilha-galinhas e hoje são riquíssimos”.
“[querem tomar conta do Orçamento] para empregar os primos, os tios, para fazer negócios de auto-estradas e outras coisas no género”.
“Há 14 anos que o PS e o PSD estão no Governo e não fizeram nada de útil”.
“Um país pobre só com gente capaz é que consegue mudar”.
E até deu receitas /conselhos que foram direitinhos a Sócrates:
“Baixar o IVA é uma medida que pode dar dinheiro aos pobres”.
“É pedir a um craque, um Dr. Silva Lopes, uma pessoa com envergadura, e dizer … ó sr. Dr, tenha paciência, em três meses faça-me um levantamento [para saber as razões por que as empresas não se fixam em Portugal]”
“Sabe o que eu faria para combater a corrupção? Pedia aí ao Dr. Carlos Alexandre, ao Dr. João Palma e ao Dr, Carlos Anjos da PJ e dizia: os senhores façam-me aí um projecto de lei e digam-me de que meios precisam para combater a corrupção. E pronto; em 3 meses eu tinha um projecto-lei. Porque eles é que sentem as dificuldades no terreno”.
“Mas ninguém quer combater a corrupção. Quer tudo fingir. É que a corrupção serve muito boa gente”.
4 comentários:
Esta entrevista deveria ser reeditada em horário nobre na sic generalista!
Há que romper com o mediocre jornalismo que permite a estupidificação de Portugal!
Deixo aqui a sugestão: 20:00 sábado, dia 14 de Agosto, convidem o Dr. Medina Carreira, Primeiro Ministro Sócrates e Dr. Manuela Ferreira Leite! (que nunca aceitarão obviamente...) e façam história em Portugal...
Ou então não...abram o jornal com as ultimas sobre o Benfica, o Ronaldo ou os últimos casos de gripe A...
Parabéns ao Sr. Dr. Medina Carreira pela persistente e corajosa atitude de denúncia da podridão do nosso sistema político.
Também fui dos que teve a sorte de escutar a entrevista.
EXTRAORDINÁRIA LUCIDEZ.
É, é a prática dos média informar e convidar assuntos e pessoas com interesse, neste caso, num canal onde só quem tem TV cabo tem acesso. E viva a democracia para que não digam que não se informa com isenção.
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