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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ocupação hoteleira a baixar

esta é uma constante desde o início do ano
Segundo os dados provisórios da Associação dos Hotéis e Empreen-dimentos Turísticos do Algarve (AHETA), em Outubro, os números da ocupação hoteleira voltaram a registar quedas relativamente ao mesmo mês do ano passado, situação semelhante às que se têm vindo a registar desde o início do ano.

No mês passado, a taxa de ocupação global média/quarto desceu 6,4 por cento, em relação ao mesmo período de 2007, passando de 64 para 59,9 por cento e a descida na ocupação global média/cama cifrou-se nos 8,3 por cento. Por zonas geográficas, Carvoeiro/Arma-ção de Pêra desceram 22,8 por cento; Portimão/Praia da Rocha 11,1 por cento e Albufeira 5,7 por cento, não havendo nenhuma subida a assinalar. A taxa de ocupação mais elevada, com 65,9 por cento, registou-se em Albufeira.

A taxa de ocupação mais baixa foi registada nos hotéis e apartho-téis de 2 estrelas (52 por cento), enquanto que a mais alta ocorreu nos aldeamentos e apartamentos de 4 e 5 estrelas (69,4 por cento).
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A nova estrela americana

obama vai ocupar a casa branca
Montagem de Galiós ... «I’m asking you to believe»

A América assim quis. O resto do mundo o desejou. Barack Obama foi eleito. Todos aguardam um Messias.

Todos esperam que o mundo vá mudar. Não sei. A América, conser-vadora incorrigível, pode mudar… um pouco. Não mais que isso. Esperar grandes mudanças é lirismo.

Mas o mundo sabe que pior do que estava, não pode ficar. Por isso, rejubila com o novo Messias americano.

Mas, como li já não recordo onde, há um risco quando se escolhe um Messias: é que ele vai, certamente, assumir o governo com a certeza de que o apoio interno e internacional legitima qualquer tipo de acto e decisão.

Dar um cheque em branco para alguém governar é abrir caminho para as tentações totalitárias que se lhe irão deparar, em maior ou menor grau, após a conquista do poder.

Esperemos para ver o que nos traz a nova estrela americana. Com a máxima esperança, mas sem demasiadas expectativas.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008

"Falta agora pedir desculpas ao PSD”

educação deve premiar rigor e a exigência
Maria José Nogueira Pinto (CDS) e Henrique Neto (PS) participam no programa de debates das Jornadas Parlamentares, que tiveram como lema ‘Verdade e Alternativa’, que o PSD realizou ontem e hoje, em Évora.

Na abertura, Paulo Rangel afirmou: "Não estamos dispostos a aceitar a via única que nos está a ser vendida todos os dias, que é a via do neo-socialismo, que só aumenta a dependência do Estado” e, numa referência à educação em Portugal, defendeu que a política desta área deve premiar "o rigor e a exigência", ao invés da "cultura do facilitismo" e "uma política de computadores ‘Magalhães’ pois "não aparecem escolas públicas nos primeiros lugares dos rankings".

No encerramento das jornadas, hoje, Manuela Ferreira Leite exigiu que o Governo peça desculpas ao PSD por ter rejeitado “com alarido” a proposta de pagamento das dívidas do Estado feita pelo partido, anunciando depois “com estrondo” a mesma proposta.

Disse a líder do partido: «Ainda há dois dias fomos surpreendidos pela decisão do Governo de pagar as dívidas às empresas tal como o PSD tinha proposto publicamente (…) quem não ouviu o tom agasta-do do Governo a recusar essa mesma proposta? Quem não assistiu às contas apressadas que acusavam o PSD de irresponsabilidade? (…) afinal o PSD tinha toda a razão. Falta agora pedir desculpas ao PSD”.

A deslocação a Évora não valeu o esforço. Manuela, uma vez mais, não conseguiu entusiasmar, apesar de estarem reunidas todas as condições para uma jornada “épica”. Sem dúvida que os «barões» decidiram não lhe dar confiança política.

O Partido Social Democrata teima em não encontrar o seu caminho. Sócrates vai continuar a dormir descansado.
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Golfe em Vilamoura

torneio tap no próximo fim-de-semana
Segundo comunicado da própria companhia, a TAP volta a organizar este ano o «TAP Open Golf Amateur Tournament» que será jogado entre 08 e 15 de Novembro, como o objectivo de “promover Portugal como destino de golfe”.

O torneio, que tem, ao longo dos anos, atingido “grande nível, sempre seleccionando campos e hoteis de qualidade”, escolheu, este ano, o Marinotel, e o D. Pedro Golf como «quartéis-generais» e vai ser disputado nos campos Laguna, Millenium, Pinhal e Victoria, todos de Vilamoura.

A competição será jogada em strokeplay - 72 buracos - e os jogado-res divididos em 4 categorias, de acordo com o seu handicap EGA.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Carnaval de Novembro

uma parada de horror municipal
Loulé já tinha o Carnaval de Loulé. Depois improvisou o «carnaval de Verão» e agora já tem o «carnaval de Novembro».

Dizem que é para animar o comércio tradicional. Por isso, também promovem novas grandes superfícies comerciais em Loulé…

Ainda há mais nove meses para que a CML possa inventar novos Carnavais neste município de palhaçadas.
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Basquetebol dos Tubarões

o máximo e o mínimo nos torneios de abertura
Foto dos arquivos do C.B.Q-T: equipas masculinas de sub. 14
Resultados do fim-de-semana de 1 e 2 de Novembro pelas equipas dos diversos escalões das equipas de basquetebol do Clube de Bsaquet de Quarteira “Os Tubarões”:

Campeonatos Regionais
Sub16A Masc. Tubarões 75 – Portimonense 71
Sub19 Femin.: Ginásio 42 - Tubarões 55
Sub16 Femin: Tubarões 37 - Tavira 46
Sub18 Masc.: Portimonense77 – Tubarões 34

Torneios de abertura:
Sub14A Masc: Tubarões 102 – Albufeira 56
Sub14B Masc: Sambrazense 118 – Tubarões 7
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Farrajota: 4º no nacional de todo-o-terreno

o carro não aguentou, em portalegre
Miguel Farrajota conquistou quatro pódios na temporada de 2008 mas, no final, quedou-se no 4º lugar do Campeonato de Portugal de Todo o Terreno que no passado fim-de-semana terminou com a Baja de Portalegre e onde registou o primeiro abandono com o carro que foi estreado este ano, patrocinado pela autarquia louletana.

O vencedor do campeonato nacional foi Filipe Campos, com 85 pontos, seguido de Miguel Barbosa, com 67, e Pedro Grancha, com 36. Farrajota terminou o campeonato com 35 pontos.
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Concerto por alunos de Loulé

flauta e guitarra na galeria de quarteira
Alunos do Centro de Expressão Artística de Loulé vão proporcionar, em 8 de Novembro, a partir das 21.30 horas, um concerto na Galeria de Arte da Praça do Mar, integrado na iniciativa “Noites Culturais”.

Os alunos de flauta de bisel, guitarra e violino interpretarão um repertório infantil, com músicas para crianças de todos os tempos, e ainda obras de Beethoven, Bach e Handel.
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Aleliê de leitura em voz alta

na biblioteca municipal de loulé
A Biblioteca Municipal de Loulé, vai realizar, em 11 e 12 de Novem-bro, o ateliê “Leitura de Corpo Inteiro”, coordenado por Manuela Pedroso, destinado a educadores de infância, professores de 1º ciclo, bibliotecários e animadores de bibliotecas.

A iniciativa destina-se a promover o desenvolvimento de estratégias de leitura em voz alta e está subordinada a marcação prévia.
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Maria de Lourdes Pintasilgo

apresentação de livro-homenagem em quarteira
Uma compilação de textos e depoimentos apresentados numa sessão de homenagem a Maria de Lourdes Pintasilgo promovida pela Associação Abril, constitui o livro “Uma Flor por Maria de Lourdes Pintasilgo”, que vai ser apresentado no próximo sábado, 8 de Novembro, às 15h00, na Galeria de Arte da Praça do Mar.

A obra inclui depoimentos de Ramalho Eanes, Elsa Noronha, Guilherme d’Oliveira Martins, Isabel Magalhães, José Fanha, José Saramago, Lídia Jorge, Luís Moita, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria do Céu Guerra, Maria João Seixas e Nuno Teotónio Pereira, entre outros, e foi editada com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Assembleia da República.

Lourdes Pintasilgo, pensadora e comunicadora, foi a primeira mulher portuguesa que ocupou o cargo de primeiro-ministro, tendo sido nos “100 dias” da sua governação que foram instituídos pela primeira vez, os mais importantes apoios sociais.
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Futebol quarteirense

mais uma semana sem razões para sorrir
Foi uma jornada fria. Fria porque, apesar de Quarteira ter gozado de um sol bonito, o friozinho fez-nos lembrar que o Verão já lá foi; e frio, porque as alegrias das vitórias tardam em chegar aos clubes da terra.

Na 3ª divisão nacional o Quarteirense, em casa, não conseguiu melhor que um empate a uma bola com o Lusitano de Évora e está cada vez mais perto da lanterna vermelha.

Por Loulé, as coisas não foram diferentes, no dérbi local: 1 a 1 entre o Louletano e o Campinense.

Outros resultados, numa jornada em que nenhuma equipa algarvia logrou vencer:

C. Piedade 2, Fabril 1
Barreirense 2, Silves 0
Juv. Évora 0, A. Reguengos 0
Pescadores 3, Farense 2
Messinense 0, Castrense 1

Na 1ª divisão regional, o Quarteira S.C. foi até ao campo dos Salgados para conhecer mais uma derrota; desta feita, por duas bolas sem resposta.

Vai mal o futebol quarteirense… vai, vai…
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domingo, 2 de novembro de 2008

Banco Português de Negócios nacionalizado

e cunhal a rebolar-se de riso na tumba...
Foto de Manuel Almeida - Lusa
“O Governo viu-se obrigado a decidir propor hoje à Assembleia da República a nacionalização do Banco BPN. O Governo tomou esta decisão tendo em vista assegurar aos depositantes que os seus depósitos estão perfeitamente seguros”, disse Teixeira dos Santos.

O ministro das Finanças anunciou a medida, hoje, em conferência de imprensa, no final da reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

As perdas do BPN ascendem a 700 milhões de euros. O ministro das Finanças Teixeira dos Santos classificou a situação do banco liderado por Miguel Cadilhe como "delicada" e "excepcional".

Que comentários fará, agora, a direita portuguesa às teorias marxistas e às nacionalizações da banca?!
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Coitadinhos dos generais!...

menos de cem euros de renda de casa
"Os militares das Forças Armadas pagam uma renda média mensal de 139 euros nas casas atribuídas pelo Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA), organismo responsável pela execução da política social no Ministério da Defesa. Ao que o Correio da Manhã apurou junto de fontes conhecedoras, "há vários generais e almirantes que pagam menos de cem euros por mês de renda em casas com cinco e seis assoalhadas em zonas nobres de Lisboa."
in «Correio da Manhã», 2/Novembro

Que dirá agora Loureiro dos Santos? Preconizará a «revolta» dos que ganham o salário mínimo e gastam metade do vencimento com a renda da casa?"
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Feminismo e Movimentos de Mulheres

onde está a igualdade de géneros da constituição?
Quem me conhece, sabe perfeitamente que estou muito “longe” dos ideais “politicamente correctos” das correntes feministas, sobretu-do quando eles se assumem como pólos opostos do “machismo”.

Torço o nariz a tudo o que me cheira a tentativas de supremacia de um sexo sobre o outro.

O meu comentário de hoje é, por si só, uma afirmação e uma tenta-tiva de um regresso mais regular à colaboração do ‘Calçadão de Quarteira’ pois, infelizmente e por razões que se prendem a problemas pessoais, o imprevisto me tem afastado do quotidiano de Quarteira e, consequentemente, da normalidade de vida.

Senti hoje esta necessidade súbita de vir expressar aqui os meus sentimentos, com a benevolência que espero dos meus companhei-ros de lide, particularmente, da do meu querido amigo Lourenço.
Tem todo este arrazoado a finalidade de funcionar como intróito às palavras de surpresa, ou mesmo de revolta que me têm andado atravessadas na garganta, particularmente desde que a Assembleia da República “legislou” sobre a “paridade” homem-mulher que, no seu entender se pode expressar na expressão “uma em três”, ou seja, para cada dois homens, deve ser indicado (repare no termo, que é de minha responsabilidade) o nome de uma mulher.

Afinal, no entender da maioria masculina da Assembleia da República, a “igualdade” expressa na Constituição da República Portuguesa não significa um para um, mas sim, dois para um!

É verdade que o género feminino e todas as feministas da “nossa praça” também se não preocuparam muito com tal incongruência. Elas próprias se demitem dessa igualdade, criando estruturas próprias do género “menino não entra”.

Estou politicamente à vontade, porque as minhas simpatias partidárias se situam numa agremiação política que (felizmente e apesar de todos os erros que o partido persiste em cometer) ainda não se lembrou de criar uma estrutura autónoma para fêmeas, do género «Mulheres Socialistas» ou «Mulheres Social-Democratas».

Não perceberão estas mulheres que são elas próprias a auto excluí-rem-se de uma sociedade paritária em deveres e direitos? Que diriam essas “feministas” se os seus partidos decidissem criar os grupos dos «Homens Socialistas» ou dos «Homens-Sociais-Democratas»?
Aqui d’el Rei!
Assim, não surpreende que Manuela F. Leite seja considerada (pelos homens) uma líder a prazo, nem que Ana Gomes, eleita pelos seus pares como a mais activa deputada do Parlamento Europeu, esteja quase com o destino traçado: a exclusão das listas do seu partido.
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Entretanto, vão-se escutando por cá rumores inquietantes: que em Quarteira surgiu uma mulher decidida a avançar como candidata a presidente da Junta. Dizem-me, porque apenas a conheço de vista e, portanto, me não posso pronunciar, que é uma mulher cheia de boa vontade, com aceitação pública e bem preparada para a função.

Pois bem, num momento em que, em toda a Europa, se apela a que as políticas impulsionem os jovens e as mulheres para a “vida pública”, acabo de saber que os homens do seu próprio partido, gente que já teve todas as oportunidades de mostrar o que vale e não vale, procuram afastá-la dos seus desígnios… para eles próprios se empertigarem para a função.

No outro partido “de poder”, os convites estão feitos, para as candidaturas. A homens, apenas, a ser verdade o que se diz. A homens que também já tiveram todas as oportunidades para mostrar o que valem e não valem. As mulheres aparecerão lá para o fim, a enfeitar o bouquet, para cumprir a lei…

E não devemos esquecer o que se passou no movimento de “Quartei-ra a Concelho”: Enquanto foram só homens a manobrar à sua maneira, não faltou quem se pusesse em bicos de pés, a posar para fotografias e a gritar o seu “quarteirismo”. Mas assim que uma mulher pegou no estandarte, o movimento extinguiu-se por si e a voluntariosa mulher ficou entregue a si mesma, impotente e talvez desmoralizada.

É assim. Para «eles» (ou a maior parte deles), a mulher é vácua, é estrídula e não tem direito a ter ideias próprias.

Assim vai a política de Quarteira, assim vai o que os “donos” da política à portuguesa entendem que é o papel da mulher.

É esta a “igualdade” que a Constituição preconiza e… que eles dizem defender.

Enquanto o chauvinismo (seja de que lado vier) impuser as suas regras, Portugal não deixará de ser um país pequenino, habitado, como disse Guerra Junqueiro em 1886, por "um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."

E somos nós mesmos, homens e mulheres que aqui vivemos, que nos entregamos à carga, à nora, às pauladas, porque nos entretemos a zurzir-nos uns aos outros, deixando que uma cambada de incapazes tomem as rédeas do nosso destino.
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sábado, 1 de novembro de 2008

Antologia

ladainha das lanchas

Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!

Oh as lanchas dos poveiros

A saírem a barra, entre ondas de gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera de maré,
Que não tarda aí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-a com toda a forca,
Clamam todas à urra: «Agora! agora! agora!»
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...)
Que vista admirável! Que lindo! Que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:
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Senhora Nagonia!
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Olha acolá!
Que linda vai com seu erro de ortografia...
Quem me dera ir lá!
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Senhora Daguarda!
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(Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda
O caçador!
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Senhora d'ajuda!
Ora pro nobis!
Caluda!
Semos probes!
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Senhor dos ramos
Istrela do mar!
Cá bamos!
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Parecem Nossa Senhora, a andar.
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Senhora da Luz!
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Parece o Farol...
Maim de Jesus!
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É tal e qual ela, se lhe dá o sol!
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Senhor dos Passos!
Sinhora da Ora!
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Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços
Parecem ermidas caiadas por fora...
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Senhor dos Navegantes!
Senhor de Matosinhos!
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Os mestres ainda são os mesmos dantes -
Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mailos quatro filhinhos,
Vasco da Gama, que andam a ensaiar...
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Senhora dos aflitos!
Mártir São Sebastião!
Ouvi os nossos gritos!
Deus nos leve pela mão!
Bamos em paz!
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Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!
Ide em paz!
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Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados,
O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes,
E das vagas, aos ritmos cadenciados,
As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes,
«As armas e os varões assinalados...»
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Lá sai a derradeira!
Ainda agarra as que vão na dianteira...
Como ela corre! com que força o Vento a impele!...
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Bamos com Deus!
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Lanchas, ide com Deus! ide e voltai com Ele
Por esse mar de Cristo...
Adeus! adeus! adeus!

ANTÓNIO NOBRE, in «Só»

António Nobre nasceu no Porto, em 16 de Agosto de 1867, numa família abastada. Em 1888 matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, mas não se sentiu atraído pela academia coimbrã, e acabou por reprovar por duas vezes. Partiu, então para Paris onde se licenciou em Ciências Políticas, em 1895.
Em França conheceu Eça de Queirós, na altura cônsul de Portugal naquela cidade. Integrou-se nas novas tendências da poesia, aderindo ao simbolismo, e escreveu a maior parte dos poemas que viriam a constituir a colectânea «Só», que publicaria em 1892.
Este livro seria a sua única obra publicada em vida, mas constitui um dos marcos da poesia portuguesa do século XIX. A obra, inicialmente editada em Paris, seria, ainda em sua vida, reeditada em Lisboa, com variantes, lan-çando definitivamente o poeta no meio cultural português.
Aparecida num período em que o simbolismo era a corrente dominante na poesia portuguesa desse tempo, «Só» diferencia-se dos padroes dominantes desta corrente, o que poderá explicar as críticas pouco lisonjeiras com que a obra foi inicialmente recebida em Portugal. Apesar desse acolhimento, a obra de António Nobre teve como mérito, juntamente com Cesário Verde, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e outros, de influenciar decisivamente o modernismo português e tornar a escrita simbolista mais coloquial e leve.

Já em Portugal, onde enveredara pela carreira diplomática, adoeceu com tuberculose pulmonar, doença que o vitimou, na Foz do Douro, em 18 de Março de 1900, com apenas 33 anos de idade.
Mas a sua obra influenciou os grandes nomes do modernismo português, como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, deixando uma marca indestrutível na literatura da língua portuguesa.
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