

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.
Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as impor-tâncias não pagas durante catorze anos,com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados. [...]
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes”.
(Fernando Dacosta)
Não vale a pena tentar comparar com o que se passa com os personagens da política actual, pois não?
3 comentários:
Não vi em nenhum jornal nem em nenhuma televisão qualquer notícia sobre isto.
Estão entretidos a dizer mal do Sócrates ou da Manuela....
Tudo seria diferente, e melhor para o País e, assim para os portugueses, se a maioria dos actuais politicos possuissem a verticalidade de Ramalho Eanes.
Ramalhao Eanes é HOMEM!
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