já fizeram uma visitinha

Amazing Counters
- desde o dia 14 de Junho de 2007

domingo, 2 de maio de 2010

Dia da Mãe

a moldura das rosas, mãe
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
.

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
.
ainda oiço a tua voz:
......... Era uma vez uma princesa
......... no meio de um laranjal...
.
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
.
Boa noite. Eu vou com as aves.
.
EUGÉNIO DE ANDRADE, in "Os Amantes Sem Dinheiro" (fragmento)

Sem comentários: